Mais pressão, por favor
Umas quantas jornadas depois, ontem, contra o Belenenses, o Benfica voltou a ter um jogo desafogado, em que bastou acelerar um pouco para tornar tudo mais fácil no ataque. Talvez assim fique provado que quanto maior é a pressão em torno da equipa, melhor. Numa semana em que as críticas a Rui Vitória subiram de tom, após o afastamento da Champions e com o Porto a ganhar vantagem no campeonato, por ter jogado antes, o Benfica regressou aos jogos em que cria oportunidades com ligeireza e marca golos com facilidade.
É caso para dizer que, como aconteceu na reta final da temporada passada, toda a pressão é bem vinda e que, em lugar de baixá-la sobre jogadores e treinador, o melhor mesmo é aumentá-la.
Mas se o jogo contra o Belenenses foi de sentido único, com 20 minutos iniciais asfixiantes, nos quais os do Restelo foram incapazes de sair do seu meio-campo defensivo, também num jogo que o Benfica tornou fácil ficaram expostas as fraquezas da equipa.
Um Benfica que defende com eficácia, que cria muitas oportunidades de golo e que marca com facilidade é, paradoxalmente, uma equipa pouco versátil na saída para o ataque. O Benfica está viciado em Pizzi e as equipas adversárias também já estão habituadas a isso. De tal forma que basta que a bola saia da fase de construção de uma forma ligeiramente diferente para que os adversários sejam surpreendidos. Talvez passe, também, por aí o caminho para o 36: manter a pressão sobre a equipa e acrescentar maior versatilidade na transição ofensiva.
