A luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

No final, só pode haver um

Não é fácil encontrar uma época como a atual, em que, na viragem do ano civil, os principais campeonatos já estão decididos. É assim em Espanha; em França; na Alemanha; e em Inglaterra. Dúvidas só na corrida a dois entre Juve e Nápoles em Itália e, em Portugal, onde três equipas alimentam ambições realistas de alcançar o título.

Em condições normais, este contexto seria revelador de que a Liga NOS era disputada e competitiva. No entanto, está montado um cenário tal que a sensação com que se fica é que, se o Benfica for campeão, o país, arrastado pelo futebol autóctone, pode mesmo acabar.

Da mesma forma que o Benfica "não pode" ser campeão (grafo entre aspas, não vá o leitor tresler e disparar antes de interpretar), também Porto e Sporting, por razões distintas, não podem deixar de se sagrar campeões esta temporada.

O Porto por não estar habituado a tamanho jejum de títulos, ainda para mais estando numa situação financeira que precisa de ser revertida. Por isso mesmo, o Porto montou uma estratégia comunicacional eficaz, que teve o condão de fragilizar o adversário principal, ocultar os falhanços desportivos e unir os adeptos em torno da equipa. Claro está que sem resultados nada disto funcionaria, mas, com Sérgio Conceição, o Porto reinventou-se futebolisticamente e, num contexto de desinvestimento, é hoje uma equipa muito mais forte.

Já o Sporting, depois de quatro anos de presidência de Bruno de Carvalho e de quatro títulos do Benfica, investiu muito, preservando jogadores fulcrais, ao mesmo tempo que não hesitou em ir sucessivamente ao mercado – tudo indica, aliás, que a dose se irá repetir em janeiro, com contratações de valores seguros, que poucos imaginariam ao alcance dos de Alvalade. Com três anos de Jorge Jesus – contratado para ganhar já –, o Sporting não pode não ser campeão este ano.

Resumindo, depois da ofensiva comunicacional que orquestrou, o Porto tem de se sagrar campeão este ano; da mesma forma que depois do investimento que fez, o Sporting tem de conquistar o título. O problema é que, no final, só pode haver um campeão.

E onde fica o Benfica nesta equação? Para os adeptos, tudo o que não seja a conquista do penta é uma derrota absoluta. Ainda assim, enquanto organização, o Benfica está menos obrigado a vencer este ano. Aliás, tendo em conta o desinvestimento no plantel, o corolário natural é o Benfica não ser campeão.

Acontece que estamos em janeiro e, mesmo com um futebol pobre, o Benfica está a três pontos da liderança e, caso vença as três próximas partidas (o dérbi de amanhã, mas, também, as duas deslocações sucessivas ao Minho), tornar-se-á o principal candidato à vitória. Porquê? Simples: ao contrário de Porto e Sporting, o Benfica está desobrigado de vencer, mas tem um balneário habituado a ganhar, a lidar com a pressão e a ultrapassar a adversidade. As melhorias exibicionais virão por acréscimo.
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