A luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

O Benfica A.K. e D.K.

Esta época há um Benfica antes de Krovinovic (A.K.) e outro depois (D.K.). A entrada do croata na equipa corresponde ao início da melhoria da qualidade futebolística do Glorioso e, por arrasto, ao renascer das possibilidades de conquistar o penta. Foi em Guimarães que o Benfica mudou de sistema e começaram a ruir alguns dogmas: Jonas não podia jogar a 9 sozinho na frente de ataque; o problema do Benfica estava na perda de qualidade individual do plantel; e faltavam jogadores para jogar com um meio-campo a três.

Hoje, está provado que, pese embora as saídas, principalmente de Éderson e Nélson, o problema da equipa era mais de opções táticas, saúde física e dinâmica coletiva do que de qualidade individual. Mas, hoje, é também claro que a nova forma de jogar do Benfica funcionou porque Krovinovic ofereceu à equipa o que ela precisava: capacidade de receber, tocar, passar e levar a bola.

Os números de Krovinovic a temporada passada no Rio Ave já impressionavam. Num clube de média dimensão, o croata tinha uma participação no jogo mais consentânea com a dinâmica ofensiva de um grande. Pelo que foi sem surpresa que deu o salto e, tendo em conta a sua qualidade individual, só surpreenderam os valores baixos da transferência e a não inscrição na Champions (a justificação de que estava lesionado não colhe totalmente).

Uma vez titular no Benfica, Krovinovic superou as expetativas e foi muito rápido a exibir o seu valor. Sintomaticamente, no final do jogo contra o Chaves, o croata liderava o ranking de passes eficazes no meio-campo adversário (86,6%) – comparando com jogadores que jogam na mesma posição, Bruno Fernandes tem 65,3% de eficácia e Herrera 81,6% (dados GoalPoint.pt).
Tendo em conta a sua preponderância, a lesão de Krovinovic coloca – de novo – desafios exigentes a Rui Vitória? Como (re)construir o Benfica D.K.?

Há, no fundo, três caminhos possíveis: regressar ao sistema anterior; aproveitar a abertura do mercado para encontrar um reforço; ou procurar alternativas no plantel.
Com a subida de forma de Pizzi, o Benfica podia voltar a conceder um papel mais importante a Jimenez e/ou Seferovic. Contudo, com o 4x4x2, regressariam os problemas de ocupação de espaços e de capacidade de controlar os ritmos do jogo; já o mercado de janeiro é sempre ingrato, e encontrar um jogador para ocupar a posição deixada vaga com a lesão de Krovinovic não é tarefa fácil (a menos que se apostasse num regresso); resta a melhor opção: encontrar no plantel uma alternativa. João Carvalho é o nome evidente, até porque tem sido testado na posição. Contra o jovem do Seixal joga alguma falta de maturidade e de intensidade. Há, contudo, no plantel um jogador que pode bem fazer as vezes do croata: Zivkovic, que tem uma qualidade individual superlativa e renderá mais num meio-campo a três do que nas alas. Pode ser, também, a oportunidade que, até agora, não teve.

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