A luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

O Benfica no fim de um ciclo

Se olharmos para esta época do Benfica como parte de um ciclo longo, o balanço é positivo. Afinal, já lá vão nove temporadas em que a pior classificação foi um 2.º lugar. Desde a 3.ª posição em 2008/09, o Benfica conquistou cinco títulos e por quatro vezes foi vice-campeão. Na última década, os registos de Porto e Sporting não são comparáveis.

Com altos e baixos exibicionais, equívocos na política de contratações, o Benfica dos últimos dez anos tem-se revelado um projeto desportiva e financeiramente sólido. Há, aliás, vários indicadores que atestam o sucesso, inclusive este ano: os 81 pontos conquistados (com mais um ganhámos o tetra), assim como os 80 golos marcados (nas mesmas últimas nove temporadas, só por uma vez o Benfica teve uma média de golos inferior a dois por jogo (1,9 em 13/14).

Mas agora que a época finda, é bem mais importante olhar para o que correu mal do que valorizar o que de positivo foi feito. Até porque é dessa capacidade que dependerão as conquistas futuras.

Deixo propositadamente de lado a estratégia que o Benfica tem seguido face às investigações de que tem sido alvo - temo bem que não faltarão pretextos para regressar ao tema - para me concentrar no plano desportivo.

Esta foi uma temporada de altos e baixos exibicionais. É, aliás, possível dividir a temporada em três partes. Uma primeira, até à deslocação a Guimarães; outra, curiosamente entre os dois jogos com o Vitória; e finalmente a reta final.

Depois de ter tido um arranque promissor (conquista da Supertaça e três vitórias no campeonato), o Benfica colapsou exibicional e desportivamente. Com a chegada da Champions, ficaram expostas as debilidades no planeamento: as saídas de jogadores chave na defesa e a ausência de reforço num meio-campo que, já o ano passado, se tinha revelado o setor mais frágil, revelaram uma equipa curta e com défices de qualidade.

Em Guimarães, mudou o sistema e, finalmente, os melhores jogadores tiveram oportunidades (primeiro Krovinovic e, depois, Zivkovic e Rafa). Após a paragem para as seleções, e meio campeonato volvido, de novo com o Guimarães, agora na Luz, regressaram as más exibições. Ficou demonstrado que o desinvestimento na equipa chegava para meia temporada, apenas numa competição, mas estava aquém das necessidades de uma época longa.

Mais importante, os sinais de que um ciclo desportivo chegou ao fim são muitos. Se é evidente que a aposta na formação faz sentido - mas é impossível vencer apenas com jogadores da formação -, também ficou claro que, para retomar a senda de vitórias, o Benfica precisa de renovar um núcleo duro que trouxe grandes conquistas. Sem três ou quatro jogadores de classe inquestionável, capazes de ajudar a integrar o João Félix e o Gedson (à imagem do contributo do Jonas, Luisão, Gaitán, Fejsa e Júlio César para as histórias de sucesso do Nelsinho, do Lindelöf, do Guedes, do Renato e do Ederson), o Benfica pode estar a dar um passo para interromper o ciclo positivo iniciado há dez anos. Um ciclo, nunca esquecer, iniciado com uma política de contratações agressiva.

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