O que há num 10 a zero
O que há num momento. Primeiro minuto de jogo, uma saída a jogar impensável até há pouco tempo. Bola curta, futebol apoiado, variação de corredores, 13 toques e Grimaldo isolado na frente do guarda-redes. O jogo começou com o Benfica a marcar, mas o melhor estava guardado para o minuto 31. Samaris de cabeça dá em Pizzi, que recebe, temporiza e deixa em João Félix, que devolve a Pizzi (sim, a bola está sempre nos pés do bragantino), que mete na direita em André Almeida, que, num toque subtil, deixa em João Félix, para este, no momento em que se desmarca, repetir, com elegância, o mesmo toque de Almeida, para, de novo, passar a Pizzi, que reenvia a bola a Félix. Já dentro da área, Félix cruza para Seferovic. Por mais vezes que reconstruamos mentalmente a jogada, a bola nunca chega ao suíço. Para a memória ficará a alegria maior com que celebrámos, no estádio, o nono e, depois, ainda, o décimo golo. Não se esquece. Mas a felicidade, para ter sido absoluta, pedia que aquela bola tivesse chegado a Seferovic, para depois ser empurrada ao primeiro toque – sempre ao primeiro toque – para o fundo da baliza.
