A luz intensa

Pedro Adão e Silva
Pedro Adão e Silva Professor Universitário

Onde é que os pontos ficam mais caros?

Tem sido sugerido que, nesta segunda metade de temporada, os pontos serão mais caros para os três grandes. A questão é saber onde. Façamos, a este propósito, um exercício retrospetivo.

O Porto empatou com Benfica e Sporting, depois com Moreirense e Aves e está em desvantagem com o Estoril. Se deixarmos os clássicos de lado, que são sempre jogos de uma natureza especial, o líder perdeu pontos – ou está em risco de perder – com as equipas que ocupam os últimos lugares da classificação.

Façamos o mesmo exercício para Benfica e Sporting e os resultados, sendo menos nítidos, têm aspetos semelhantes.

O Sporting saiu derrotado da Amoreira, por um Estoril que luta para não descer e empatou com o Moreirense e Vitória (o Braga é aqui uma exceção). Ou seja, clássicos à parte, metade dos jogos em que os de Alvalade perderam pontos foram contra equipas que agonizam na classificação. Já o Benfica, se é verdade que perdeu pontos contra equipas que jogam um futebol mais positivo (Rio Ave; Marítimo e até o Boavista), desde 1 de outubro, só empatou contra um Belenenses que também luta pela manutenção.

Talvez haja aqui um padrão: os grandes têm dificuldades contra equipas teoricamente mais fáceis, ao mesmo tempo que vencem sem grandes dificuldades clubes que ocupam a primeira metade da classificação. Este fator cria maior imprevisibilidade no campeonato, mas diz-nos, também, qualquer coisa sobre a natureza da Liga NOS.

Há uma explicação benévola: contra os grandes, os pequenos agigantam-se, enquanto os grandes têm algum desleixo na forma como encaram estes jogos.

Infelizmente, julgo que a questão não é apenas de atitude competitiva. Por paradoxal que possa parecer, a abordagem de alguns treinadores, que jogam um futebol mais ofensivo contra clubes mais poderosos, acaba por se revelar, no essencial, romântica. É mais fácil para Porto, Benfica e Sporting derrotarem em casa um Braga, Chaves ou Rio Ave que procuram atacar (mas individualmente estão aquém dos grandes) do que um Moreirense ou Feirense remetidos à defesa. É caso para dizer que, em certa medida, jogar mal compensa. E talvez seja essa um dos motivos pelos quais as arbitragens ocupam um espaço tão central no futebol português.

Mais do que erros pontuais – que se distribuem de forma normal por todas as partidas –, o problema das arbitragens continua a ser a tolerância com o antijogo, o número infindável de pequenas faltas e as quebras de ritmo nas partidas.

Eu pago bilhete para ver um espetáculo e estou disponível para aceitar que um árbitro ajuíze mal um penalty ou um fora-de-jogo – que têm graus de subjetividade significativos e que em jogo corrido são difíceis de julgar –, mas não estou disponível para aceitar uma partida cheia de interrupções e com pouco tempo de jogo efetivo. Proteger o futebol implica proteger as equipas que revelam uma abordagem mais positiva ao jogo. E esse é um problema do futebol português.

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