Regressar ao Apito Dourado?
Nos últimos anos, o Porto iniciou um lento processo de modernização da sua gestão, adaptando-se aos novos tempos. Esta transformação produziu tensões internas. De um lado, aqueles que estavam presos a métodos do passado, mas que tinham levado o Porto a vitórias; de outro, um grupo que percebia que não era possível continuar a vencer apoiado nos esquemas de antigamente.
Enquanto os modernizadores iam ganhando preponderância, o Porto foi-se afastando das vitórias, ao ponto de não vencer nada vai para quatro anos. No plantel atual, já não há um único jogador que tenha sido campeão com a camisola do Porto. Deve ser inédito nas últimas décadas.
Perante isto, qual foi a opção do Porto? Em lugar de compreender que, num futebol que se alterou, o que era preciso era modernizar mais e romper com as manigâncias que subsistiam, optou por regressar em força ao passado. Saiu Angelino Ferreira, primeiro, e Antero Henriques, depois, para que a família Pinto de Costa voltasse a ser toda poderosa. De tal forma que até o inefável João Pinto se alcandorou, pasme-se, a adjunto do diretor-geral. Com o passado, voltaram métodos antigos: as visitas aos centros de treino dos árbitros; a sempre difícil convivência com investigações judiciais, o controlo do Conselho de Arbitragem e as nomeações dos árbitros amigos de campos inclinados.
O que o Porto desconhece é que o passado nunca regressa e os métodos que funcionaram deixaram de funcionar. É possível esquecer os tempos do Apito Dourado, mas é impossível repetir esses tempos. Sob pena de o futebol português se tornar uma farsa.
