Lateral-esquerdo

Pedro Bouças
Pedro Bouças

Bernardo Silva: da ala direita do Monaco para o Mundo

Longe vão os tempos em que para o jogo se somavam características individuais e não se formavam equipas enquanto coletivos. Uma equipa como uma sociedade, com quotas para os talentosos, os dribladores, os carregadores de piano. Os altos e fortes. Os aceleras.

Hoje, mais do que nunca, as melhores equipas ligam-se. Defender bem é ocupar e ajustar posicionamentos. Condicionar decisões e esperar o timing ideal para então recuperar. Nenhuma equipa no mundo precisa de determinadas características físicas demasiado acentuadas para defender bem. Intelectuais sim. Perceber as situações de jogo com que se depara e ajustar posicionamentos e abordagens ao contexto.

Talvez no jogo da década de 90, Bernardo apenas encontrasse espaço como número dez, nas costas de um avançado. Talvez na década de 90, onde cada um perseguia o seu, defensivamente pudesse ser olhado de soslaio.

Em tempos em que o espaço e o tempo para jogar escasseia, o talento não tem modelo de jogo. Talento expresso na tomada de decisão e qualidade técnica, que permitem idealizar melhor espaço e melhor execução para prosseguir cada jogada.

Leonardo Jardim fez cair o mito, ao retirar rendimento do jovem português, apresentando na presente temporada um modelo de jogo assente no sistema 442. Sim, esse mesmo. O que se dizia impossível de encaixar Bernardo.

Que melhor que um pé esquerdo de sonho e uma visão incrível de jogo, para ocupar a posição de ala direito? O facto do próprio pé dominante ser o contrário à ala onde joga até lhe proporciona maior benefício. Maior facilidade para "esconder" a bola enquanto a conduz pelos espaços interiores onde consegue desequilibrar estruturas adversárias. Numa era em que todos têm de ser cérebros se se pretende maximizar o rendimento ofensivo, ter Bernardo é estar próximo de criar.

Da ala direita do Monaco para o mundo, Bernardo acrescenta ofensivamente a cada posse. Nunca compromete defensivamente, porque a inteligência é hoje o factor diferenciador. E ele sabe perfeitamente onde estar e quando estar.

Recebendo no corredor direito, sendo canhoto, maior a facilidade para invadir em progressão os espaços que o aproximam das zonas de decisão. Partindo dali empataria o jogo deste fim de semana em Paris












Em organização defensiva, o 442 de Leonardo Jardim. Defender bem é sobretudo uma questão de ocupar racionalmente o espaço. A linha média a coordenar-se. À saída para pressionar de um médio-centro, Bernardo baixa, formando triângulo com quem saiu e com o médio-centro que ficou. Primeira prioridade – não permitir que bola entre por entre os médios. Orientar decisão do adversário para o corredor lateral









Em organização ofensiva, um modelo que 'pede' ao seu ala que se posicione e receba mais próximo do corredor central, onde pode fazer maior diferença. Largura dada pelo defesa lateral da equipa monegasca




Pode ler mais artigos e análises de Pedro Bouças em www.lateralesquerdo.com.

Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais