Os segredos do surpreendente Chaves

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Surpresa na classificação por ser um recém-chegado à primeira Liga. Não pela proposta de jogo coletivo apresentado ou pela qualidade das individualidades.

O Desportivo de Chaves é uma das equipas da Liga em que a identidade é mais acentuada. Taticamente percebem-se as ideias para cada um dos momentos do jogo. Jorge Simão deixou legado e Ricardo Soares não tem tocado na identidade flaviense.

Primazia total pelo controlo do jogo sem bola, com zonas de pressão bem definidas, e já dentro do meio campo defensivo. Parte de um 442 extremamente bem definido em organização defensiva. Percebem-se os cuidados no posicionamento de cada uma das linhas, que articulam entre si de forma bastante coordenada, criando dificuldades aos adversários para as ultrapassar.

Desde a primeira linha de dois avançados, sempre próximos e que, posicionando-se em diagonal quando não têm a bola, conseguem controlar a progressão interior ao adversário, condicionando-o desde logo a sair pelo corredor lateral, ao excelente comportamento defensivo da linha média que se move como se de uma linha defensiva se tratasse.


Comportamento defensivo da primeira linha. Avançados em diagonal controlam também o médio defensivo adversário. Objectivo é que esta linha de dois mais adiantados nunca seja batida com bola entre ambos, mas somente com adversário a ir por fora na direcção do corredor lateral

Quando um dos quatro do meio tem de sair na bola, os três que ficam baixam e juntam, e a todo o momento a prioridade é impedir que a bola entre no espaço entre defesas e médios flavienses, por dentro da linha média. Ou seja, sempre o condicionar do adversário para o corredor lateral, como que mesmo no momento defensivo, controlasse e definisse o rumo de cada jogo. O convite que faz ao uso do corredor lateral pelos adversários, naturalmente definido em função da presença de dois defesas centrais na área com enorme aptidão para resolver lances no ar.

Ofensivamente, no seu momento de organização ofensiva, uma equipa bem menos aprazível de se seguir, sobretudo pelo pouco "risco" que apresenta. A principal preocupação mesmo quando tem bola parece ser a transição defensiva. Por vezes um jogo mais longo e menos pensado desde trás, com defesas centrais a não assumirem a posse, por não pretender nunca perder a bola com a equipa aberta no relvado e a ter de "comer" metros para voltar a fechar espaços.

Todavia, porque bem definida, interpreta bastante bem cada momento, e acaba por ser nos segundos que se seguem imediatamente à recuperação que forçam a chegada ao último terço. Equipa flaviense preparada e organizada para ser uma equipa que ofensivamente coloca as 'fichas' na transição ofensiva e na bolas paradas.

É nos momentos de transição ofensiva que emerge Fábio Martins, um dos resistentes do mês plantel neste mês de Janeiro. Velocidade de execução e qualidade técnica muito assinalável, fazem do jovem um dos destaques da nossa Liga. Sempre a conduzir as transições com critério e velocidade. É a referência maior no momento em que os flavienses mais investem no seu processo ofensivo.

Pode ler mais artigos e análises de Pedro Bouças em www.lateralesquerdo.com.

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