Lateral-esquerdo

Pedro Bouças
Pedro Bouças

Um FC Porto em 442

A chegada de Soares e a preponderância que desde logo Nuno Espírito lhe atribuiu deixa antever um FC Porto finalmente definido em termos de sistema e modelo. Parte de um 442 nos dois grandes momentos de organização do jogo: ofensiva e defensiva.

Em organização defensiva, posiciona Soares à esquerda e André Silva à direita na primeira linha defensiva, composta por dois avançados. Linha de quatro no meio, com Danilo e Óliver no corredor central. Comparativamente aos momentos em que opta por um 433, baixam os alas o posicionamento nos momentos defensivos. Juntam-se aos dois médios centro, mais próximos da linha defensiva, ficando só mais projetados em profundidade os dois avançados. E o habitual quarteto defensivo que se mantém inalterado.

O 442 clássico no momento de organização defensiva. Com alas a ligarem-se aos médios centro. A referência de posicionamento é a proximidade com médios centro e não a posição dos laterais adversários. Três linhas bem definidas.

Após a recuperação, na sua transição ofensiva, porque tem os alas (Brahimi, Corona, Jota. Dos três, dois deverão subir ao relvado a cada jogo) mais baixos, aproveita a mobilidade dos avançados para sair rápido para o ataque. Soares movimenta-se na metade esquerda do campo e André Silva na direita. Após a recuperação, os avançados movem-se na horizontal. Ex: bola no corredor esquerdo, Soares abre na linha, e André aproxima mais do meio. E vice-versa.

Movimentos habituais. Quando ala baixa (Brahimi), avançado do lado da bola abre no corredor lateral (Soares), e avançado do lado oposto, aproxima do meio

Se não consegue sair rápido no contra ataque, e mantém a posse, entrando no momento de organização ofensiva, continua o FC Porto a ser uma equipa de pouco risco. Os laterais permanecem relativamente baixos, e se um está mais adiantado, o outro mantém posicionamento mais dentro e mais próximo dos centrais, antevendo a perda da bola, mantendo proximidade com última linha para chegar rápido e poder participar na transição defensiva.

Muito do segredo dos bons números em termos defensivos do FC Porto (melhor defesa da Liga), estão ligados à ideia em organização ofensiva. Nunca se expõe, e está sempre a equipa de Nuno muito preocupada em ter muita gente preparada para defender. O movimento habitual. Também a opção por um jogo mais direto em organização ofensiva, onde os laterais a todo o instante esticam no espaço que os alas aclararam (corredor lateral em profundidade) para que possam os avançados receber ali, retira perdas em zonas baixas.

Porque rapidamente coloca atrás da linha da bola o quarteto defensivo e o médio mais recuado, mesmo em transição defensiva, consegue ser uma equipa que por não se expor em demasia, é eficaz também no momento defensivo da transição.

Apesar de estar em organização ofensiva, percebe-se que o lateral do lado oposto à bola e os próprios centrais e Danilo estão sempre muito juntos, preparados para, caso aconteça a perda, a equipa estar junta muito rapidamente para começar a defender. Retira qualidade ofensiva, mas mantém o FC Porto muito seguro na resposta aos contra ataques adversários.

Em suma, a entrada de Soares e o fixar do 442, em comunhão com as ideias de Nuno, trazem um FC Porto menos pensado em termos ofensivos. Mais predisposto a um jogo mais físico, de menor construção apoiada desde trás (recorde a origem de cada um dos dois golos perante o Sporting). Um modelo mais interessado em criar 'ruído' nas zonas ofensivas, pelas constantes bolas longas, do que propriamente em predispor-se a um jogo de posse mais exacerbada como o era no tempo de Vitor Pereira.

Se ofensivamente parece uma equipa mais limitada, o facto de nunca abrir tanto a equipa (laterais, sobretudo) quanto os rivais, conferem-lhe uma segurança defensiva no momento em que mais golos se consentem (transição defensiva), que lhe permite pensar que bastará um golo por jogo para continuar a somar três pontos ao fim de semana.

Pode ler mais artigos e análises de Pedro Bouças em www.lateralesquerdo.com.

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