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Ver Jorge Jesus defender Julen Lopetegui da imprensa depois de lhe arrear dois golos é quase tão cómico como ouvi-lo ontem a ‘desqualificar’ Rui Vitória como treinador. É curioso observar esta ‘mourinhização’ do treinador do Sporting, que está tão seguro de si que passou a fazer jogos mentais com os rivais. A verdade parece ser que consegue ter sucesso. De fora para dentro do campo.
A campanha do Sporting nesta época continua formidável. Seja por que ângulo for, a liderança da Liga nesta altura, e depois de derrotar os dois clubes mais fortes, é um feito que poucos achariam possível. Com poucos paus se fez uma canoa que navega veloz com este homem no leme. É incrível como Jesus conseguiu tornar forte o espírito de uma equipa muito mais limitada. Como é incrível que consiga fazer fraquejar o espírito do Benfica e do Porto nos jogos.
Rui Vitória devia pura e simplesmente não provocar Jesus, porque perde sempre na resposta. E devia passar por cima das "perguntas incómodas", como lhes chama, e não se vitimizar com as dúvidas dos jornalistas. Nesse mar da vitimização, em que Julen Lopetegui também se banha semana após semana, não se sai do sítio. Enquanto isso, Jorge Jesus passa ao largo. E lidera.
Ontem houve uma dúzia de golos do Benfica e do Sporting, e mais um embaraçoso empate do FC Porto, em casa. Jorge Jesus venceu mais uma jornada. E ainda se ri dos treinadores adversários. Um, pelo ataque que lhe faz. O outro, pela compaixão que revela. Faz tudo parte do jogo.
Por Pedro Santos Guerreiro