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Pedro Santos Guerreiro
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

Bem formados

Uma defesa extraordinária de Casillas no final bastou para que hoje critiquemos o Sporting e elogiemos o FC Porto. Sem essa defesa, o jogo no Dragão teria sido semelhante ao duelo com o Benfica e hoje estaríamos a... elogiar o Sporting e a criticar o FC Porto. Um lance muda tudo, mudando até o que se passou a seguir: a crítica ao Sporting sem auto-crítica de Jorge Jesus.

Palhinha é um figurante na história. É evidente que Jesus estava sim a criticar a falta de equipa, como desculpa ou para responsabilizar para Bruno de Carvalho. O que se passou depois faz crer que o presidente do Sporting se sentiu atingido. Com razão.

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É um ano perdido em Alvalade. Por todos: o mero afastamento das competições europeias condiciona o futuro, por restringir as receitas e, logo, a possibilidade de baixar a dívida e de aumentar custos contratando melhores jogadores. E não foi Palhinha que afastou o Sporting da Europa.

É péssimo indicador desvalorizar a formação e fragilizar os jogadores que de lá saem. O Palhinha fez uma asneira, é verdade, e Soares teve uma entrada de sonho, mas se tivesse sido ao contrário a sua valia a longo prazo não mudaria, mudaria apenas a confiança (ou falta dela) a curto prazo. Jesus nunca foi grande amigo de fazer equipas com miúdos, coisa que Rui Vitória faz melhor. Mas ser forte com os frágeis é característica de cobarde. É, sobretudo, um disparate. Jesus é bom a mandar no balneário, mas humilhar alguém publicamente é apenas... humilhar alguém publicamente. Palhinha só sai desta fazendo um jogão a seguir. Se não, sai de jogo.

A questão não é Palhinha, são os resultados do Sporting, mesmo quando as derrotas são injustas, como a deste fim de semana no Dragão. A solução nunca será o afastamento, entre treinador e presidente, ou face aos jogadores da formação. Ser bem formado também é perceber que não é destruindo que se constrói.

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Por Pedro Santos Guerreiro
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