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Não é a Doyen que vai acabar com o Sporting – se o clube pudesse acabar por razões financeiras já teria acabado e os culpados não teriam sido nem agentes, nem fundos de investimento, nem sequer os bancos – teriam sido os membros dos órgãos sociais do próprio clube, por uma gestão ruinosa continuada ao longo de vários anos.
Ninguém obriga um gestor a comprar um jogador, muito menos a fazer um mau negócio para o clube. A decisão é dele. E foi um conjunto de decisões ‘deles’ que deixou o Sporting num estado financeiro miserável, que ia acabando também desportivamente com o clube. Mas, como diz a direção de Bruno de Carvalho, se o clube tiver de pagar 14 milhões de euros à Doyen, o caldo entorna-se, tem de ir ao banco para não entrar em rutura. E como os bancos comandam os custos do clube e telecomandam as suas receitas, é difícil assumir essa perda.
O Sporting de Bruno de Carvalho criou um plano em acordeão, que primeiro encolheu brutalmente os custos para esta época voltar a investir mais dinheiro. O risco de não ser campeão nacional é também esse, o de por em causa a possibilidade de aumento de receitas na próxima época – e o de abrir a porta aos críticos. Para ser campeão, no entanto, o Sporting precisa que o Benfica troque a sorte que tem tido e por azar – e precisa de ganhar o que lhe falta, começando este fim de semana no Dragão. E sim, talvez seja teoria da conspiração, mas o noticiário relacionado com a Doyen tem a oportunidade de desestabilizar uma equipa nas vésperas de um jogo decisivo.
Por Pedro Santos Guerreiro