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Foi um grande ano para o Benfica e isso está nas contas: receitas da Champions, vendas elevadas de jogadores, contratos de patrocínio e de TV. Daí o lucro, que permitiu virar os capitais próprios para positivos. O problema são os anos anteriores. Muitos anos, alguns muito anteriores. Porque o capital próprio, de modo simples, é a soma do capital usado para iniciar a sociedade com os lucros e os prejuízos acumulados nos anos seguintes. E isso também se vê nas contas da SAD Benfica (situação que é pior para o Grupo Benfica): no passivo elevado (dívida bancária e obrigacionista), que pressiona as contas pelos juros pagos mas também pelas necessidades de pedir novos empréstimos para substituir aqueles que se vão vencendo. É por isso que os auditores sublinham que a continuidade da SAD depende do apoio dos financiadores. E é por isso que a gestão da SAD precisa de escrever que tem esse apoio.
Percebe-se por que razão Luís Filipe Vieira elogia tantas vezes Domingos Soares de Oliveira: é o gestor financeiro quem, fora dos campos, mais joga. A situação financeira é hoje muito melhor do que há uns anos, mas a pressão mantém-se, até porque os bancos já não têm os cofres escancarados para o futebol e é preciso novos empréstimos para substituir créditos que vencem.