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Pedro Santos Guerreiro
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

Nós, os feios

A imprensa estrangeira anda fula da vida connosco, diz que jogamos feio, que desfazemos mais do que fazemos, que chutamos pouco, que somos empatas, que retemos, amolecemos, adormecemos. E nós é para o lado que acordamos melhor – galgando até aos ‘quartos’, que jogamos hoje contra a Polónia.

Fernando Santos é o engenheiro dos ‘quartos’. Foi ele que, sob críticas, preferiu desiludir a não iludir. Como ele diz, o feio e o bonito é irrelevante, o que interessa é saltar as barreiras para voltar do Euro o mais tarde possível.

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Mas há mais do que tática na disposição feita pelo selecionador para cada jogo. Há motivação do balneário e espírito de abnegação na equipa, sobretudo entre os que são mais craques – como Cristiano Ronaldo – e os que são mais intempestivos – como Quaresma. Ele próprio já o explicou: envolveu todos os jogadores de modo a que aos mais inexperientes não descesse o receio e a que aos mais experientes não subisse o vedetismo à cabeça.

Esperamos ver isso hoje em campo, contra a Polónia. Sacrifício, paciência e perseverança, mesmo que isso signifique não dar show para a bancada. Afinal, o que nos interessa é passar. E se à equipa continuar a faltar a inspiração para o espetáculo, que não falte a transpiração para o resultado final.

Esta é mesmo a seleção de Fernando Santos. Gostemos ou não da estratégia que ele aplica a cada jogo, o selecionador de Portugal é um pragmático. Conhece as limitações da equipa. E sabe o que fazer com ela para que ela faça com o jogo o que todos queremos dele: ganhar. Assim seja, hoje. Feio ou bonito.

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Por Pedro Santos Guerreiro
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