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Seria bom que as próximas semanas não fossem notícia pelas razões que foram as últimas. Que não fosse mais notícia a imundície dos lagos, os buracos nas estradas, as obras inacabadas, a imperfeição da aldeia olímpica ou o doping dos russos. No Brasil estão os melhores atletas do Mundo. Entre os melhores do Mundo estão muitos portugueses. Que sejam os seus feitos a encher as páginas dos jornais e os nossos corações.
Mediremos o seu sucesso como sempre medimos: pelas medalhas conquistadas. Por estar nos três primeiros. Faz sentido. Não faz justiça. Dizê-lo não é descer o nível de exigência que colocamos aos atletas, é subirmos nós ao reconhecimento da exigência que eles próprios já superaram. O esforço, o sacrifício, a ambição, a persistência, o treino sucessivo, a extensão dos próprios limites são da mesma fibra do que admiramos quando lemos há dias os obituários de Moniz Pereira, que deu tanto e nos deu tanto.
Quem ganha medalhas olímpicas dá-nos a alegria coletiva de nos sentirmos todos bons e o orgulho partilhado ao ouvir o hino nacional, ao ver a bandeira hasteada. Temos já uma lista de heróis a quem prestar a nossa gratidão por isso. Mas não só de medalhas se fazem os melhores entre nós. E se nós nem com os diplomas olímpicos, que são atribuídos aos oito melhores, exultamos, menos ainda nos damos conta dos que deram conta de assomar ao patamar mais alto do desporto.
"Mínimos olímpicos" é uma expressão muito desvalorizada que tem de ser revista. Quem os consegue, consegue os seus máximos. Quem está nos Jogos Olímpicos a defender as cores do país já conseguiu estar entre os melhores do Mundo. E ficar entre os melhores do Mundo é já ser dos melhores do Mundo. E os nossos atletas estão lá, nestes olímpicos feitos dessa espécie de Olimpo, onde os homens se aproximam dos seus deuses. Salve!
Por Pedro Santos Guerreiro