Pedro Santos Guerreiro
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

Poder

Qualquer equipa pode um dia fazer um jogo de sonho. Bater o adversário mais potente subjugando-o pela inspiração, pela sorte ou pela superação. Não foi isso que o Leicester conseguiu. Um campeonato não é um jogo, é uma temporada inteira e não há lampejo súbito que perdure tanto. O novo campeão da liga mais competitiva do mundo ganhou contra todas as probabilidades porque não se mediu por elas. Porque foi a equipa mais competitiva do mundo. Regularidade em vez de inconstância. Força acima do génio. Equipa mais que vedetas. Projecto como trajecto. Consistência e coesão em vez de dinheiro e holofotes. Valor em vez de preço.

Em Inglaterra anda toda a gente maluca com o feito. O Leicester?! Mas não é só em Inglaterra. Visto de cá, a vitória no campeonato inglês é tão inspiradora como lá. Vão escrever-se livros e fazer-se filmes sobre esta vitória, mesmo que ela tenha acontecido uma única e irrepetível vez, aqueles homens conseguiram o que muito poucos conseguem, tocar o céu.

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O Sporting podia (e ainda pode, mas é muito difícil) ser uma espécie de Leicester português este ano, por jogar com menos dinheiro, menos vedetas e contra as probabilidades. Talvez o ano da vitória do Boavista seja semelhante em Portugal, mas aqui a diferença do dinheiro para "os machesters" (como Jaime Pacheco chamou às equipas milionárias britânicas) é ainda maior. E é por isso que esta vitória do Leicester é uma inspiração para todos os países que gostam de futebol. Precisamente porque é uma vitória do futebol e não do dinheiro. Não basta gastar tanto para render muito e é uma consolação ver como ainda é possível render muito sem gastar tanto. A vitória do Leicester é a vitória do futebol como já nós tínhamos esquecido que gostávamos – e que podíamos gostar.

Por Pedro Santos Guerreiro
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