Agora a sério
Vendo as reações, o jogo da Seleção contra a Islândia provocou mais incredulidade do que humildade. É pena. Porque, sobretudo na segunda parte, a Islândia esforçou-se muito mais e foi mais focada do que Portugal. Mereceu o empate. E demos-lhe a oportunidade de responder com elegância ao amuo de Cristiano Ronaldo. Aquele "se queriam ganhar jogassem mais" do selecionador islandês parece paródia mas é inteiramente correto. Nós, adeptos, entramos em efervescência otimista com um 7-0 contra a Estónia para logo depois ficarmos com pele de galinha pessimista com um 1-1 com a Islândia. É normal, vivemos os jogos com muita emoção. Mas a equipa, profissional como é, tem de jogar com a perfeita consciência da diferença que existe entre o que vale jogando na calma e o que pode valer jogando com alma.
Se alguma lição o jogo contra a Islândia deve dar para os jogos que se seguem, é o de que não foi um azar. É exatamente este tipo de resultado que acontecerá se a equipa jogar com a metade experiente sem medo nenhum e a metade inexperiente com o medo todo. Mais do que escolher entre o Nani e o Quaresma, ou por uma combinação diferente no meio-campo, Fernando Santos poderá ficar mais confiante se os seus jogadores não tiverem excesso de confiança. Até porque o embalo virá se, no próximo jogo, tudo correr bem. Porque sejamos claros: temos a obrigação de passar esta fase de grupos; e temos a obrigação de não o darmos por garantido. Agora entrem em campo outra vez, fechem a defesa e abram o ataque e nós cá estaremos para apoiar durante o jogo e celebrar depois. Estamos todos ao mesmo. Para ganhar o próximo jogo. Um de cada vez.
