Abrir o jogo

Pedro Santos Guerreiro
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

A cartilha

Os grandes clubes são organizações profissionais, com departamentos especializados, incluindo os de comunicação. E como o futebol é muito emotivo, tão emotivo que muitas vezes cega a razão, a comunicação usa a emoção. Nada disto é anormal. Nem estranho. A estranheza é outra: se os clubes enviam informação verdadeira aos seus comentadores televisivos, estão apenas a municiá-los para o debate; se lhes enviam ordens para manipular, então os comentadores são papagaios, o que dizem pode ser falso e assistimos a um teatro entre atores que leram um papel que alguém lhes deu.

Se uma notícia é factual e deve ser imparcial, um comentário não tem de sê-lo. Mas não pode desinformar, mentir ou manipular. Isso é tratar os telespectadores como estúpidos.

Nas televisões, os debates são algumas vezes de qualidade e muitas vezes entretenimento inútil. E é com alguma frequência que se assiste a meras disputas de querer impor uma razão mas sem boa argumentação. Esta semana, por exemplo, a Tribuna Expresso escreveu na crónica da vitória do Sporting sobre o Boavista, onde dizia que o Sporting "fez um belíssimo jogo", que "para lá dos erros individuais dos defesas axadrezados, houve mais três presentes do avançado holandês", Bas Dost: os três golos. Na SIC, Manuel Fernandes disse que o Expresso estava a acusar Bas Dost de ter comprado os defesas do Boavista... Como não me passa pela cabeça que o Sporting tenha mandado uma "cartilha" sobre isto, nem que a glória do clube a papagueasse, só posso admitir que Manuel Fernandes leu mal o texto. E coisas como esta estão sempre a acontecer em relação a outros jornais, que os clubes tentam condicionar.

Mas tudo isto é comunicação, que mobiliza adeptos em torno do seu clube e contra os outros. A boa notícia é essa: mesmo que os comentadores deixassem de ter cabeça própria, o que não acredito que venha a acontecer, os adeptos nunca deixarão. E como quem vê e ama futebol tem cabeça própria, também sabe que a comunicação dos clubes é profissional, que usa a emoção - e que o futebol não é feito de falinhas mansas. Nem tansas.

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