Camisolas amarelas
Sim, já todos sabemos, este ano o Benfica foi o maior, o Sporting foi grande e Porto foi pequeno; Jorge Jesus disse no fim o suficiente para sair pela porta pequena e Rui Vitória diz o que quiser depois de entrar pela porta grande, num espaço onde Peseiro não entrou sequer. Mas o campeonato teve outros protagonistas. Grandes protagonistas. Vários e várias camisolas amarelas.
Como a camisola amarela do Paços de Ferreira vestida por Diogo Jota, uma das grandes revelações deste ano, com uma pilha volumosa de golos. Ou a camisola amarela do Estoril, que já passou de revelação a confirmação, pela sucessão de anos com jogo eficaz e toada regular. E a camisola do Tondela, que se transformou numa espécie de caso de estudo, ou talvez mesmo num possível milagre ao cair do pano. Parece aliás que depois da permanência houve mesmo a uma ida a pé a Fátima de membros do clube que lhes estourou os pés antes de alcançarem o destino. O Tondela foi apoiado pelo Benfica, com o treinador Vítor Paneira e vários jogadores, mas acabou por ser com Petit, e quando este se libertou da ‘obrigação’ de por em campo os jogadores provenientes do clube da Luz, que se inverteu a classificação, numa permanência na última jornada que permite a esta equipa de uma cidade pequena continuar entre os grandes – e ambicionar as receitas correspondentes.
Pequeno é Arouca, mas só em território e população. Eis um caso verdadeiramente notável de um clube que em seis anos passa das distritais para a Europa, depois do quinto lugar na Liga. É um feito prodigioso da equipa de Lito Vidigal que merece a maior das vénias. Mesmo a maior. Não são só os grandes que são grandes. O campeonato deste ano foi muito competitivo e não apenas pela disputa pela vitória final que acabou por sorrir ao Benfica. Estes casos de ‘camisolas amarelas’ são até mais impressionantes, pela escassez de meios e ambição de metas. Que não nos faltem. Todos os anos.
