Crise no SCP

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Sim, é uma crise e não é apenas uma crise de resultados, o que já não seria pouco. Depois de quase ter sido campeão na época passada, o Sporting arrasta-se agora penosamente e, ao fim de dez derrotas na época, já não dá para argumentar com arbitragens. O problema está dentro do balneário. Com o presidente dentro do balneário.

Bruno de Carvalho tinha um sonho, anunciou-o como compromisso e em vésperas de eleições entrou em derrocada: o sonho e quem o sonhou. O presidente do Sporting é homem de perder a cabeça por pouco e até é muito o que o apoquenta. Mas espadeirar pelo balneário adentro como ele fez tem o mesmo risco de pegar no lança-chamas quando fala para fora do clube: se a seguir tudo corre bem, a autoridade revela-se liderança; mas se depois o clube perde, a liderança passa a partilhar as culpas da desestabilização. E Bruno passa da imagem do lutador quixotesco contra moinhos de vento para a imagem de ser ele próprio o moinho de vento que fez de todos os outros seus inimigos. Incluindo a equipa de futebol e o seu treinador. Quem tanto dá a voz na ira, dá o corpo ao castigo.

As eleições do Sporting vão aquecer. Provavelmente, Bruno sucede a Bruno, mas mesmo depois disso terá de inventar uma nova reza para conseguir recuperar a anímica e os ânimos, para mais com a adversidade de poder ter de vender jogadores essenciais. A série negra desta época quebrou a magia da anterior. Para haver uma próxima época feliz, será preciso calma. Calma do presidente e calma dos sócios

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