Mal-amados

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José Peseiro vai liderar o melhor plantel de Portugal, mas o melhor plantel de Portugal não é, esta época, a melhor equipa de Portugal. À partida, o treinador tem contra si as expectativas: basta ler o que se escreveu ao longo da semana, não se dá muito pelo seu sucesso. Mas a sua contratação parece ser também sintoma do que se passa no FC Porto. Um mau sintoma.

Se um grande plantel não faz uma grande equipa, há um problema de liderança. Não vale a pena bater mais no ceguinho, Julen Lopetegui ou não tinha cabeça para treinar ou não tinha voz para mandar na equipa. Pelo trabalho desenvolvido no passado no Sporting, Peseiro parece ter mais cabeça do que lhe querem reconhecer. O ponto fraco estará na falta de voz de comando. Na capacidade de dar o murro na mesa. No catarro de entrar pelo balneário adentro a pôr as vedetas na ordem e converter distraídos em motivados.

O que para já vemos é que o processo de sucessão no FC Porto revelou falta de liderança na cúpula do clube. Lendo as mesmas notícias da semana, parece haver demasiadas forças em confronto dentro da cadeia de comando do clube, o que vai corroendo o ponto nuclear do sucesso incontestável do FC Porto em décadas: a liderança dominante de Jorge Nuno Pinto da Costa. Ter demasiadas forças desalinhadas é o mesmo que ter uma enorme fraqueza. E o presidente histórico pode já não estar em condições de controlar a sua própria transição. Se assim for, é um prejuízo enorme para o futuro. O FC Porto foi o clube que mais ganhou nos últimos 30 anos. Em Portugal e por Portugal.

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