Sorte?

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Sim, o Benfica está carregado de sorte, se sorte é marcar um golo nos últimos minutos na Liga ou ver uma bola chutada pelo Bayern bater no poste, bola que se raspasse para dentro da baliza poderia iniciar uma derrocada no jogo. Mas não é só estrelinha de campeão, até porque nenhum campeão se faz só de estrelinha. Nem o Benfica é ainda campeão. Aliás, pode não sê-lo.

Todos os benfiquistas se lembram do minuto 90’+2 de Kelvin, quando Jorge Jesus se ajoelhou depois de tudo perder no Dragão. Todos. Há provavelmente mais benfiquistas a lembrarem-se desse desastre que portistas a recordarem esse maravilhamento. É mesmo possível que esse golo doa mais na memória dos benfiquistas que os 7-1 em Alvalade, humilhação em campo apesar da qual o clube da Luz foi campeão nacional. E é por se lembrarem desse golo de Kelvin que não pode haver um único benfiquista que queira confiar na sorte. A sorte protege os audazes mas trai os convencidos. Sempre.

O Benfica tem feito uma grande segunda parte de época, que valida Rui Vitória como o patinho feio que depois se fez cisne. Mas o Sporting fez o contrário, fez tanto com tão pouco que, se for campeão depois de uma escorregadela do Benfica, merecerá o título. Só o FC Porto foi desapontante, ou mesmo pior do que isso, quase desmerecedor da sua própria história e grandeza. O Benfica está a quatro jogos da consagração como campeão nacional, mas esses quatro jogos são também quatro hipóteses de se espalhar ao comprido. Não basta esperar pela fortuna, pois assim o fantasma do ano Kelvin, que de três vitórias passou a zero, revisitará a Luz. Mas aconteça o que acontecer entre Benfica e Sporting, o campeão merecerá a glória. E isso não tem nada, mas mesmo nada, a ver com sorte. Como veremos.

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