Pedro Santos Guerreiro
Pedro Santos Guerreiro Jornalista

TV loucas

A sucessão de negócios é a sucessão do pasmo. Meo e Nos comprometeram-se em pagar valores para os próximos anos aos clubes de futebol como nunca tinha sido pago. Já aqui escrevi como as operadoras se tornaram nos bancos destes clubes. Mas só agora vemos o filme todo. E é um filme que começa bem. Esperemos que não acabe mal.

Começa bem porque é muito dinheiro. Mais do que comparar qual dos clubes fez o melhor negócio, ressalta o volume face ao que se pagava antes. Houve uma revalorização total dos conteúdos televisivos de futebol. Os clubes maiores beneficiaram disso. Mesmo que isso venha a resultar, no futuro, em preços mais caros da Meo e da Nos (é difícil compreender tamanho investimento de outra forma), os clubes recebem agora muito mais. Os clubes, não: para já, os maiores clubes. Manuel Machado tem razão: o fosso entre os grandes e os demais vai crescer. E isso retirará competitividade à Liga. Provavelmente, também retirará espectadores aos estádios: ficam em casa a ver pela TV.

A Meo e sobretudo a Nos provavelmente perderam a cabeça quando começaram a passar cheques desta maneira mas isso é lá com os seus acionistas. A Liga de Clubes foi completamente ultrapassada no processo de centralização de direitos. E o poder da Liga passa a estar em empresas patrocinadoras.

Na prática, estes operadores de comunicações estão a pagar para terem mais clientes e mais audiências. Para isso, a Liga tem de ganhar qualidade. Que o dinheiro sirva para isso, e não parar criar duas divisões dentro da primeira.
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