Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

5-2? Grande jogo!

O n.º 7 tem, desde a Antiguidade, um significado especial, para astrólogos, alquimistas e a própria Bíblia; sete são os dias da semana, as cores do arco-íris, as maravilhas do mundo antigo, os vícios capitais, as virtudes que se lhes opõem e é também referência quantitativa para outras inúmeras circunstâncias da vida e do mundo.

Também no futebol o 7 é um n.º mágico: não só Cristiano Ronaldo é CR 7, mas muito outros grandes jogadores o usaram sempre. Um jogo com 7 golos é sempre um bom jogo; mas, para ser um "grande jogo" tem de ser muito especial, disputado até ao fim, com sucessivas alternâncias no marcador.

Pessoalmente, fiquei marcado por variadíssimos jogos com 7 golos, a começar pelo primeiro a que assisti, no dia 18 de Dezembro de 1949, Estádio Municipal de Coimbra, 1-6 no Académica-Sporting, com três golos de Mário Wilson, que nesse ano substituira Fernando Peyroteo no eixo dos "cinco violinos" e que, por isso, nunca cheguei a ver jogar ao vivo.

Mas a ideia para este artigo surgiu na noite do passado dia 16, quando terminou o Sporting-Nacional, que foi mesmo um grande jogo, com um resultado (5-2) em tudo idêntico àquele a que também assisti, em 1952 (tinha então 13 anos, daí as imagens que ficaram gravadas com tanta nitidez!), não apenas no resultado, mas também na sequência dos golos.

Foi o primeiro encontro que vi entre dois grandes do futebol português – Sporting e FC Porto – que teve lugar em Coimbra (onde eu vivia) por ser de desempate da Taça de Portugal. Mas essa história dessa meia-final, disputada a duas mãos, merece ser contada, porque foi mesmo épica!

Começou no Estádio das Antas, tendo ganho o FC Porto por 2-0, com golos aos 32 e 73 minutos. Na 2.ª mão, em Lisboa, no antigo Estádio do Lumiar, o FC Porto entrou e matar e aos 3´ o Sporting já estava a perder por 0-2! E aí começa a remontada, com 1-2 ao intervalo, acabou 4-2 com o último golo marcado por Albano aos 90 minutos.

Como então os golos valiam todos o mesmo, houve o tal desempate, numa tarde de sol, a 10 de Junho, apenas dois dias depois do jogo anterior. E começou da mesma forma, aos 15´ já o FC Porto ganhava por 2-0 e o Sporting fez o 1-2 antes do intervalo (aos 38´) – daí o paralelismo com o Sporting-Nacional... E o resto foi idêntico, empate aos 65´, mais três golos aos 70, 81 e 85 (agora, empate aos 70´ e os restantes aos 75, 87 e 90+1).

Resta acrescentar – com ajuda do magnífico Almanaque do Sporting, de Rui Tovar e Rui Miguel Tovar, que se apoiaram no arquivo e fotografia de Record – que os árbitros dos três jogos foram Fausto Santos, António Calheiros e Inocêncio Calabote, e que o Sporting perdeu a final com o Benfica (treinado por Cândido Tavares) noutro épico desafio que terminou 5-4, com três golos de Rogério Carvalho ("Pipi"), que ainda falhou um penalti.

O Sporting era treinado pelo inglês Randolph Galloway, que conquistou 3 títulos consecutivos (1950/51, 1951/52 e 1952/53) dos 7 que o clube venceu em 8 anos (entre 1946/47 e 1953/54), tendo sido os outros treinadores Robert Kelly, Cândido de Oliveira e Fernando Vaz (2) e Tavares da Silva; sequência que só foi travada pelo Benfica em 1949/50, treinado por Ted Smith (que também ganhou a Taça Latina) e depois em 1954/55, com Otto Glória.

Uma última referência aos resultados 5-2 que, embora ocorrendo com alguma frequência (mas cada vez menos), em finais da Taça de Portugal apenas aconteceu uma única vez, em 1992/93, no Benfica-Boavista, treinados por Toni e Manuel José, respectivamente, com 2 golos de Futre, no único título que conquistou pelo Benfica; e nunca sucedeu em jogos da Supertaça e em finais da Taça da Liga.

* Antigo colaborador de Record (1991/97) e último Director da Gazeta dos Desportos (1995; esccreve segundo a antiga ortografia

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