Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

A formação em Portugal

Depois das vitórias nos mundiais de juniores de 1989 (Riade) e de 1991 (Lisboa) os chamados "grandes" (Benfica, FC Porto e Sporting) passaram a investir de forma mais assertiva na formação de jogadores.

A par das equipas de "scouting" visando o recrutamento, cada vez mais cedo, dos jovens mais prometedores que fossem localizados em qualquer ponto do país e no estrangeiro, criaram estruturas modelares, no Seixal, em Gaia e em Alcochete.

O mesmo aconteceu com clubes que já tinham histórico na área (Belenenses, Vitória de Setúbal, Boavista, Marítimo, Académica) e também se actualizaram, a par de outros que rapidamente começaram a tirar proveito das estruturas que entretanto criaram, como sejam o Sporting de Braga e o Vitória de Guimarães, entre outros.

O Sporting foi, sem dúvida, o que começou mais cedo a aproveitar-se desse trabalho em profundidade, que não se pode dissociar da figura ímpar de Aurélio Pereira, verdadeiro mentor da formação leonina e justamente distinguido com a colocação do seu nome nas instalações de Alcochete.

Rapidamente atingiram projecção internacional alguns dos seus formandos, nomeadamente pela qualidade dos seus extremos, certamente dos melhores do mundo – Futre, Simão, Figo, Quaresma, Ronaldo e Nani – citados pela ordem em que foram aparecendo.

Mas também pela quantidade de convocados para as fases finais das últimas competições em que participámos.
Na selecção que venceu o Europeu (2016), 10 dos 23 eram da formação do Sporting – Patrício, Cedric, Fonte, William Carvalho, Adrien, Moutinho, João Mário, Quaresma, Nani e Ronaldo; jogaram 63% dos 7.920 minutos dos 7 jogos (3 com prolongamento), foram todos utilizados na final e marcaram 7 dos nossos 9 golos.
Na Taça Confederações (2017, 5 jogos, 3.º lugar sem derrotas) foram convocados 11 (saíu João Mário e entraram Beto e Gelson), que marcaram 6 dos 9 golos conseguidos.
E no Mundial (2018, 4 jogos, até aos oitavos de final, uma derrota), foram convocados 12 (saíu Nani, voltou João Mário e entrou Ricardo), tendo sido todos utilizados (excepto o guarda-redes Beto), em 64% dos 3.960 minutos jogados e marcado 5 dos 6 golos.

Mas a situação está rapidamente a mudar. Não só porque o Sporting inverteu o seu esforço na formação (de que a extinção da Equipa B, após deliberado apagamento na II Liga, terá sido a decisão mais gravosa), mas porque o Benfica já está a colher dividendos do excelente investimento que fez no Seixal, aliás complementado por vendas milionárias dos passes de muitos jovens, nalguns casos muito acima do seu valor aparente.

A título de exemplo, da ficha do jogo Sp Braga-Benfica do Campeonato Nacional de Juvenis de 2012/13 (Record de 20-05-2013) constam 3 futuros internacionais A, Renato Sanches (2016, campeão europeu), Gonçalo Guedes (2017) e Ruben Dias (2018), dois dos quais já renderam ao clube bem mais de 65 milhões; mas dessa equipa constavam também o defesa Iuri Ribeiro (titular do Rio Ave na época passada) e o guarda-redes André Ferreira (idem do Leixões), que integram o plantel desta época, e outros que certamente vão emergir.

E os reflexos nas equipas nacionais são evidentes: nos campeões europeus de Sub-17 (em 2016), 5 ou 6 eram da formação do Benfica; nos campeões europeus de Sub-19 (já em 2018) 6 eram do Benfica e apenas 3 do Sporting; e nos Sub-18 que disputaram as eliminatórias do Mundial de 2017 (sem conseguirem o apuramento), do elenco de 25 jogadores da penúltima convocatória, constavam 14 da formação do Benfica.
Voltaremos a este assunto.

Em tempo: Gedson Fernandes será este ano tão importante como foi Renato Sanches quando foi lançado no Benfica?

* Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995) e escreve segundo a antiga ortografia

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