Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Arbitragem (1)

Entre duas épocas futebolísticas parece oportuno fazer uma reflexão sobre o que se passou no âmbito da arbitragem, analisar o que não esteve bem no campeonato que findou e perspectivar o que, em nosso entender, será desejável alterar para o futuro.

Vamos deter-nos apenas nos aspectos relativos às nomeações dos árbitros principais, às eventuais deficiências organizativas e à influência que elas podem ter tido na classificação final do campeonato; deixando para os cronistas mais credenciados a avaliação dos aspectos técnicos e disciplinares, dos erros mais marcantes e, também, uma apreciação serena e construtiva sobre o que foi a primeira experiência do vídeo-árbitro (VAR) em Portugal.

Numa primeira análise, verifica-se que o quadro de árbiros da 1.ª categoria esteve reduzido a 22 elementos (menos 2 que nas duas épocas anteriores), número que se afigura insuficiente dado o acréscimo de empenhamento no VAR.

De uma maneira geral foram os árbitros mais qualificados que apitaram os jogos dos quatro primeiros classificados, Sporting e Benfica (16 vezes), FC Porto e Sp. Braga (17); nos restantes oscilaram entre 18 (Guimarães e Marítimo) e 21 (Feirense).

Considerando o conjunto das actuações – como árbitro principal e VAR –, verifica-se que todos os 22 árbitros estiveram em jogos de nove das 18 equipas e outras cinco tiveram 21; apenas dois árbitros falharam FC Porto, Benfica e Moreirense e três o Sporting.

Dois árbitros apitaram 5 jogos da mesma equipa Carlos Xistra (o Benfica) e Luís Godinho (o Sporting); e 4 jogos foram apitados por Carlos Xistra (Sporting, sendo 3 em casa na 1.ª volta, e FC Porto), Soares Dias (FC Porto e Benfica), Hugo Miguel (FC Porto e Rio Ave), Jorge Sousa (V. Guimarães e Marítimo), Luís Ferreira (Portimonense, todos fora), Fábio Veríssimo (Belenenses, todos fora), João Pinheiro e Tiago Martins (Aves), Bruno Esteves (Moreirense) e Luís Godinho (V. Setúbal).

No que concerne ao VAR, 6 jogos foram seguidos por Vasco Santos (Chaves) e Helder Malheiro (Boavista); e 5 por Helder Malheiro (Aves e V. Setúbal), Hugo Miguel (Portimonense), António Nobre (Marítimo e Boavista) e Carlos Xistra (P. Ferreira); referência também para os jogos sucessivos de Tiago Martins no Sporting (jornadas 4, 5 e 6) e de João Capela no Moreirense (jornadas 1 e 2), entre outros.

No conjunto árbitro/VAR destaque para a presença de Hugo Miguel em 8 jogos do FC Porto (4+4), além de vários árbitros em 7 jogos.

Também de referir o facto de os dois últimos jogos disputados pelo Estoril fora de casa (jornadas 32 e 34, contra Aves e Feirense) terem sido dirigidos pela mesma dupla, Soares Dias (árbitro) e João Pinheiro (VAR).

Por último, uma breve análise dos 12 jogos disputados entre os quatro primeiros classificados: Carlos Xistra apitou 5, os 3 do Sporting em casa (3 empates) e 3 do Sp. Braga (2 fora e 1 em casa, 1 empate); Soares Dias (3), Hugo Miguel (2), Jorge Sousa e Luís Godinho dirigiram os restantes; e no VAR estiveram Hugo Miguel (3), Tiago Martins e João Pinheiro (2), Fábio Veríssimo, Bruno Esteves, Rui Costa, Luís Godinho e Nuno Almeida.

Reiteramos a nossa afirmação inicial, nestas análises não estão em causa actuações nos planos técnico ou disciplinar, mas apenas nos organizativos.
Voltaremos a este tema.

* Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995) e escreve segundo a antiga ortografia

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