Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Breve retrospetiva de 2018

No primeiro artigo do novo ano começamos por desejar um FELIZ 2019 a todos quantos contribuem para a produção diária de Record, com a alta qualidade que se lhe reconhece. E aproveitamos para fazer uma breve retrospectiva do que foi a nossa colaboração, em boa hora reiniciada em Março de 2018 – e que muito nos honra.

Propusemo-nos reflectir principalmente sobre futebol – o que temos (que criticamente adoramos) e o que desejaríamos ter (onde imperasse a verdade desportiva e houvesse mais e melhor espectáculo) – e também sobre outras modalidades desportivas, como o atletismo.

Receámos ir chocar muitas ideias instaladas – o que aconteceu nalguns comentários que nos chegaram –, mas já tivemos a satisfação de verificar que, a seguir a alguns textos nossos, os temas têm sido tratados, em papel, com uma profundidade que ainda não tinham atingido. Referimo-nos concretamente ao reduzido tempo de jogo (em que Portugal é o maior, pela negativa, com expedientes para todos os gostos), à cronometragem (que seria a medida necessária, quiçá indispensável) e às lições do Mundial/18, entre outros.

Embora geralmente com uma postura crítica – "Contra a corrente" – não nos eximimos a elogiar as boas medidas tomadas e as situações em que imperou o bom senso e o desejo de melhorar, só lamentando que alguns dos artigos não tenham merecido destaque na edição em papel.

Centrados no futebol jogado dentro das quatro linhas, começámos por apontar as três lacunas que importa eliminar: a falta de verdade desportiva, o anti-jogo e o jogo passivo, e a exiguidade de golos.

Discutimos o lançamento lateral, a ser feito com os pés; o fora de jogo, cuja eliminação pura e simples talvez descaracterizasse o jogo; o número de árbitros a apitar a I Liga (22, cada vez mais insuficiente); o sistema de nomeação, propondo que cada árbitro só pudesse apitar dois jogos de cada equipa, um em casa e outro fora, sendo um na 1.ª e outro na 2.ª volta; os empréstimos de jogadores, há que reduzir, reduzir...; os 3 pontos por vitória, "à partida todos os jogos são iguais, mas uns valem 3 pontos e outros apenas 2"; as substituições, "porque não 5, com possibilidade de 2 reutilizações dos substituídos?"; e as dimensões dos campos da I e II Liga, já que alguns (Aves, Covilhã) chegam a ter menos 740m2 do que os 105x70m (7.350m2) que deviam ser obrigatórios em todas as competições de elite.

Dedicámos vários artigos às faltas cometidas, sua deficiente intrpretação (nomeadamente o jogo perigoso); às demoras resultantes da sua marcação e da reposição da bola em jogo; à excessiva protecção dos guarda-redes a queimarem tempo, mesmo depois de amarelados; ao VAR, com elogios à sua implementação (em Portugal e no Mundial) e críticas a alguns retrocessos, como foram as recomendações aos árbitros portugueses para evitarem a banalização dos penaltis; e demos especial atenção à questão da cronometragem, defendendo que a exacta contagem do tempo com cronómetros à vista de todos (incluindo os jogadores) seria uma machadada fatal no anti-jogo, e elogiando as tímidas aberturas para a sua implementação, apenas faltando vontade política de quem tenha poder e o assuma plenamente.


Analisámos a formação em Portugal, com destaque para a do Sporting, altamente representada na selecção campeã da Europa, a valia dos extremos que formou (Futre, Simão, Figo, Quaresma, Cristiano Ronaldo e Nani) e o erro de acabar com a equipa B; a do Benfica, cada vez com mais presenças nas selecções; os campeões de Juniores, com destaque para a vitória dos Sub-19 no Europeu; e também a criação do campeonato de Sub-23 versus equipas B.

Em termos históricos relembrámos os grandes jogadores do passado e do presente, comparando os que fizeram toda a carreira no mesmo clube (Travaços, Pelé, Eusébio, Messi) e os que espalharam o seu talento por variados países e continentes (Maradona, Ronaldo Nazário, Zidane, Ibrahimovic, Figo, Cristiano Ronaldo, Ronaldinho, Neymar); e os treinadores, portugueses e estrangeiros, que  mudaram o futebol em Portugal ou conquistaram títulos que nos tornaram conhecidos em todo o mundo.

Em termos organizativos, abordámos a Liga das Nações, que elogiámos mas propusemos  um formato diferente, com 48 países distribuídos por três divisões com quatro grupos de quatro equipas cada, e os restantes sete países a disputarem uma única poule de acesso ao patamar superior; a Taça de Portugal, apontando dois aspectos que importa alterar, a disputa das meias-finais a duas mãos (porquê se, por falta de datas, têm sido disputadas com enormes intervalos) e a repescagem de equipas derrotadas, fácil de resolver com o aumento do número de participantes dos campeonatos distritais na 1.ª eliminatória; e a forma rápida e expedita como funcionou a justiça italiana no julgamento do caso de corrupção (calciocaos) em 2006, que se traduziu na despromoção da Juventus, campeão em título (este a merecer o comentário de um leitor, "Que raio de artigo..."). 

E meditámos sobre atletismo (dois artigos) – outras modalidades sê-lo-ão a seu tempo –, com a evolução tecnológica (tartan, colchões insufláveis, fibra de vidro, cronometragem electrónica) a ter larga influência nos recordes que vão sendo batidos; a estranha manutenção da forma arcaica de medir os saltos em extensão, que continua a provocar saltos nulos; a possibilidade de haver provas contra-relógio (como no ciclismo), fora das competições oficiais, com direito ao registo dos respectivos recordes; e a eventual criação de novas provas como o duplo salto e o quíntuplo salto em comprimento, e o salto em altura com obrigatoriedade de utilização de algum dos estilos antigamente utilizados (rolamento ventral e outros), que seriam susceptíveis da obtenção de marcas superiores aos recordes antes atingidos.

No futuro propomo-nos continuar no mesmo sentido – "Contra a corrente" – visando os mesmos objectivos com que iniciámos a nossa colaboração.

 
* Antigo colaborador de Record (1991/97) e último Director da Gazeta dos Desportos (1995); esccreve segundo a antiga ortografia

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