Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

De Mirko Jozic a Marcel Keiser

Depois do título conquistado em 1981/82 com Malcolm Allison, o Sporting atravessou um longo período de 18 anos de sucessivas desilusões, com oito treinadores estrangeiros – Josef Venglos (checo), John Toschak (galês), Keith Burkinshaw (inglês), Pedro Rocha (uruguaio), Marinho Peres (brasileiro), Bobby Robson (inglês), Robert Waseige (belga) e Vicente Cantatore (chileno) – e apenas três portugueses, António Oliveira, Manuel José e Carlos Queiroz, além dos chamados para as emergências de finais de época complicados, Pedro Gomes, António Morais, Raul Águas, Fernando Mendes, Octávio Machado e Carlos Manuel.

Apesar dos dois segundos lugares de Queiroz (1994/95) e de Octávio (1996/97), a época de 1997/98 foi um desastre completo, com quatro treinadores (Octávio, Vital, Cantatore e Carlos Manuel), 12 derrotas, 14 expulsões e mais um 4.º lugar, a 21 pontos do campeão FC Porto e atrás do Benfica e do Vitória de Guimarães.

Embora mais preocupado com o saneamento financeiro do clube para o que tinha lançado, em Agosto de 1997, a oferta pública de acções do Sporting SAD, o Presidente José Roquete projectou a época 1998/99 em moldes ambiciosos, esteve muito activo no mercado de transferências e foi buscar um treinador pouco conhecido, o jugoslavo (hoje croata) – Mirko Jozic –, mas que fora campeão mundial de Sub-20 pelo seu país (1987) e tri-campeão no Chile, com o Colo-Colo (1990, 91 e 93).  

Com um plantel muito jovem (média 25 anos), a equipa praticava bom futebol mas os resultados desportivos não correspondiam (outro 4.º lugar), em boa parte devido a arbitragens muito tendenciosas, a provocarem um braço de ferro entre a Direcção e a APAF, que chegou a boicotar os jogos do Sporting.

Desgostoso com a situação que, segundo ele, impedia o clube de ganhar campeonatos – como denunciou em entrevista então publicada –, o técnico não renovou e a equipa ficou debilitada com a perda de jogadores valiosos, como Simão Sabrosa, transferido para o Barcelona. Mas viria a ser a base para os dois títulos conquistados a seguir, nas épocas 1999/2000 (com Augusto Inácio, que rendera o italiano Giuseppe Materazzi) e 2001/02, com o romeno Lazlo Boloni e os reforços sonantes Peter Schmeichel, André Cruz, João Pinto e Mário Jardel.

Mais um longo período de seca (16 anos até agora), quase só com treinadores portugueses: Fernando Santos, José Peseiro (finalista da Taça UEFA), Paulo Bento (quatro segundos lugares, três deles a dois, um e quatro pontos), Carlos Carvalhal, Paulo Sérgio, José Couceiro, Domingos Paciência e Sá Pinto; depois, em 2012/13, um inacreditáel 7.º lugar a 36 pontos do campeão, com quatro treinadores, Sá Pinto, Oceano, Vercauteren (o único estrangeiro neste período) e Jesualdo Ferreira; e ainda Leonardo Jardim (2.º lugar), Marco Silva e Jorge Jesus (três épocas e um 2.º lugar, com recorde de pontos e a dois do Benfica).

Entramos em 2018/19, após o que terá sido o período mais turbulento da história do Sporting: o caos de Alcochete, as rescisões de importantes activos, o afastamento de Bruno de Carvalho, a transição dirigida por Jaime Marta Soares, Artur Torres Pereira e Sousa Cintra, as concorridíssimas eleições e, finalmente, a posse do novo presidente, Frederico Varandas.

No futebol, quatro treinadores: Sinisa Mihajlovic (que não chegou a entrar em funções), José Peseiro (14 jogos oficiais, 9V-1E-4D, 2.º lugar no Campeonato e continuidade em todas as competições), Tiago Fernandes (3 jogos, 2V-1E, manutenção em todas as frentes) e Marcel Keizer. Com apenas dois jogos, duas expressivas vitórias, com futebol de ataque, atraente e eficaz; contra adversários muito acessíveis, ficam dúvidas sobre a solidez defensiva (dois golos sofridos) a avaliar melhor contra adversários de outro nível.

Os compromissos de Dezembro – Rio Ave (duas vezes), Desportivo das Aves, Vorskla Poltava, Nacional, Vitória de Guimarães e Feirense – sete jogos, de quatro competições diferentes, em apenas 27 dias, vão ser testes bem exigentes que não deixarão de dar indicações seguras sobre o futuro deste Sporting.

Votos para que 2018 acabe bem e 2019 seja bastante melhor!

* Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995) e escreve segundo a antiga ortografia; é Sócio do Sporting

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