Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Jogadores e... jogadores

Além das respectivas selecções, há jogadores que vestiram sempre a camisola do mesmo clube; e outros (muitos outros) que brilharam em campeonatos diferentes em representação de clubes distintos. Na discussão de quem foi o melhor, este vector "fidelidade" é muitas vezes determinante das escolhas feitas.

Vamos fazer uma análise alargada: a nível mundial entre as duplas que mais polémicas proporcionaram – Pelé e Maradona, Messi e Cristiano Ronaldo – sem esquecer alguns dos que, ao longo dos anos, proporcionaram os maiores espectáculos futebolísticos, Eusébio, Cruyff,  Ronaldo Nazário, Ibrahimovic, Zidane, Modric, Neymar e, para aqueles que ainda os puderam ver em directo, vamos citar (apenas citar) Di Stefano, Kubala, Garrincha, Kopa, Gento, Platini, Van Basten ou Puskas, entre tantos outros; e, a nível nacional, os que consideramos terem sido os maiores nas suas épocas, José Travaços, Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo.

Certamente já repararam que, entre tantos nomes, não surge nenhum guarda-redes (os golos marcados contam mais que os sofridos...), nem aqueles que, apesar de ainda muito jovens (Mbappé, Dybala, Hazard, Pogba, Bernardo Silva), há muito que deixaram de ser promessas mas não é justo ficarem, por ora, a perder na comparação com as gerações dos que podiam ter sido seus pais ou avós.

Comecemos pelos maiores rivais de sempre.

Pelé nasceu em 1940 e praticamente só jogou no Santos ou pelo Brasil (três vezes campeão do Mundo); enquanto Maradona (1960) foi campeão do Mundo pela Argentina (também de juniores), brilhou em Espanha (Barcelona) e, principalmente, em Itália, onde fez bicampeão o modesto Nápoles.

Já Cristiano Ronaldo (1985) começou no Sporting e brilhou no Manchester United e no Real Madrid (onde conquistou tudo, interna e internacionalmente) e prepara-se para fazer o mesmo em Itália depois de ter levado Portugal a campeão europeu; enquanto Messi (1987) chegou ao Barcelona com 13 anos, onde sempre jogou e também ganhou tudo e, na selecção argentina, ficou-se por um título olímpico e outro mundial de Sub-20.

As performances individuais são impressionantes: Maradona disputou 588 jogos e marcou 446 golos (91 e 34, respectivamente, na selecção argentina); Pelé marcou bem mais de mil golos, embora nos registos oficiais se fique pelos 757 em 812 jogos (92-77 pelo Brasil); até agora Messi regista 648 jogos e 565 golos (128-65 pela selecção); Cristiano Ronaldo, respectivamente 773-580 (154-85 pela selecção).

E não nos alongamos na pormenorização dos títulos colectivos e prémios individuais que todos conquistaram, deixando aos nossos leitores a escolha daquele que acharam ter sido o melhor.

Outros nomes – escolha nossa, naturalmente discutível.

Zlotan Ibrahimovic (nascido em 1981), para nós um dos expoentes máximos, jogou na Suécia, Holanda (onde marcou, aos 19 anos, no Ajax, o que foi considerado o 2.º melhor golo de sempre), Itália (3 equipas), Espanha, França, Inglaterra, 756 jogos, 446 golos (116-62 na seleção sueca), campeão e melhor artilheiro em vários países, tendo gerado negócios superiores a 170 milhões de Euros nas várias transferências.

Johann Cruyff (1947-2016), jogou no Ajax e no Barcelona, 4 títulos de campeão europeu (3+1), 660 jogos, 514 golos (48-33 na selecção).

Ronaldo Nazário (1976, "Fenómeno"), jogou no Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan e Corinthians, 518 jogos, 352 golos (105-67 pelo Brasil), campeão e melhor marcador em vários países e mundial, pelo Brasil, em 2002.

Zinedine Zidane (1972), Cannes, Bordéus, Juventus e Real Madrid, 724 jogos, 154 golos (108-31 pela França), campeão em Itália e Espanha, campeão do mundo.

E que dizer de Ronaldinho Gaúcho (outro "globetrotter"), Bale (a transferência mais cara de então), Neymar (a mais cara de sempre), Modric, Salah e tantos mais?

E a nível interno: José Travaços (1926-2002, o "Zé da Europa"), o melhor da sua geração e o mais internacional até então (35 vezes), 8 campeonatos nacionais, 2 taças de Portugal, 457 jogos e 172 golos marcados, jogou sempre no Sporting.

Eusébio (1942-2014), penalizado na apreciação internacional por ter jogado sempre no Benfica, 718 jogos e 727 golos (64-41 pela selecção), 10 campeonatos nacionais, 5 taças de Portugal, 1 taça dos campeões europeus, 1 "bola de ouro" (1965), 2 botas de ouro e 7 de prata, considerado em várias eleições um dos 10 melhores jogadores do Séc. XX.

Luís Figo (1972), começou no Sporting (1 taça de Portugal) e foi campeão no Barcelona (4), Real Madrid (4) e  Inter, 789 jogos e 173 golos (127-32 pela selecção); vencedor da Liga dos Campeões, Taça das Taças, Supertaça europeia e Copa Internacional; "ballon d’or" 2000, melhor jogador FIFA 2001, 2.º em 2002.

Cristiano Ronaldo (1985), 4 vezes campeão do mundo de clubes, 5 ligas dos campeões UEFA, 2 supertaças UEFA, 3 campeonatos de Inglaterra, 2 campeonatos de Espanha, 8 taças e supertaças (4+4), campeão da Europa (selecção, 2016), torneio de Toulon (esperanças, 2003), 10 prémios individuais do melhor da FIFA e 8 prémios individuais da UEFA.

Qual o melhor português de sempre? Escolha o leitor...


* Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995); escreve segundo a antiga ortografia

 

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