Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Lições do Mundial

No Rússia18 disputaram-se 64 jogos (48 na fase de grupos e 16 na fase a eliminar).
Não houve equipas só com vitórias e duas perderam todos os jogos (Egipto e Panamá); desta vez não houve quem empatasse sempre...

Apenas houve um resultado 0-0 (Dinamarca-França, no 36.º jogo disputado) e dois jogos com 7 golos marcados (Inglaterra-Panamá, 6-1 e Bélgica-Tunísia, 5-2).
Jogo estranho foi o França-Austrália (2-1), com 2 golos de penalti (58’ e 62’) e o outro na própria baliza (81’).

Foram marcados 169 golos (122+47), sendo 65 na 1.ª parte, 101 na 2.ª parte e 3 nos cinco prolongamentos para desempate, que foram jogados pela Croácia (3), Inglaterra e Rússia (2 cada), Espanha, Dinamarca e Colômbia.

Desses prolongamentos só um ficou logo decidido (Croácia-Inglaterra); os outros continuaram empatados (só um com golos, 1-1) e tiveram de ir a penaltis, sem nunca terem chegado ao 5.º pontapé (um terminou 3-2 e os outros 4-3).

Foram marcados 12 golos na própria baliza (9+3, nas duas fases, sendo 1 na final); 18 de penalti (16+2, sendo 1 na final); e 21 nos tempos de compensação (18+3).

Houve 5 golos de livre directo (Ronaldo, Kolarov, Kroos, Quintero e Trippier); e 4 penaltis falhados (Cueva e Sigurdsen, por cima, Messi e Ronaldo, defendidos).

A Bélgica teve o melhor ataque (16 golos), seguida da França (14), sendo que todas as equipas marcaram pelo menos 2 golos; o Panamá teve a pior defesa (11 golos em apenas 3 jogos).

O melhor marcador foi Harry Kane (Inglaterra, 6 golos), seguido de Ronaldo (Portugal), Cheryshev (Rússia), Lukaku (Bélgica), Griesmann e Mbappé (França), todos com 4.

Foram mostrados 219 cartões amarelos (157+62 nas duas fases) e apenas 3 vermelhos (na fase de grupos, 1 directo e 2 por acumulação).

A Arábia Saudita foi a equipa mais correcta (apenas 1 cartão amarelo), Panamá (11) e Coreia do Sul (10) as mais penalizadas (todas em 3 jogos).

Só no Argentina-Islândia e Uruguai-Arábia Saudita não foram mostrados cartões; sendo o máximo (8) no Bélgica-Panamá, França-Argentina e Colômbia-Inglaterra .

Alguns pontos a destacar

Sobre o VAR: de salientar a coragem da FIFA em avançar, com resultados positivos.
Acusada de nomear muitos árbitros pouco habituados a actuar em grandes ambientes, a situação foi agravada pela falta de experiência na utilização do VAR; aconteceu muitas vezes aceitarem a opinião do VAR sem irem verificar.

De qualquer maneira houve vários casos em que penaltis foram marcados após intervenção do VAR (como foi o caso do Portugal-Irão, embora erradamente e, na final, com decisão discutível) e o contrário (Brasil-Costa Rica, anulada decisão após consulta).

Outros dois erros, em nosso entender, graves e decisivos, ambos no Croácia-Inglaterra, que a comunicação social praticamente ignorou: há falta atacante no 1.º golo da Croácia, o defesa realmente baixa a cabeça (ligeiramente) mas o avançado ataca a bola de pé em riste junto à cabeça do adversário, em evidente jogo perigoso; e um penalti por assinalar, a poucos minutos do fim, contra a Croácia.

Compensações: foram ajustadas e mais prolongadas do que habitualmente, em média cerca de 1’ 30’’ no final da 1.ª parte e 5’ 25´´ no final da 2.ª parte; frequentemente os minutos concedidos foram ultrapassados, sem razão aparente.

Nos prolongamentos, as compensações foram generosas, mas justificadas pelas demoras; por exemplo, na meia-final Croácia-Inglaterra, foram concedidos 6’ (2+4), proporcionalmente correspondentes a 18’ no tempo regulamentar.

Nos livres directos: os árbitros foram permissivos na distância a que formaram as barreiras.

Guarda-redes: no geral quase todos se houveram a preceito, sendo de destacar as exibições de Courtois, Subasic, Scheichel, Rui Patrício e, no plano negativo o frango de Muslera e o deslize de Lloris na final; nos penaltis, quer no tempo normal quer nos desempates, muitas vezes, além de se movimentarem (o que é permitido) adiantaram-se antes de a bola partir, nunca tendo sido mandado repetir; exemplos, vários de Schmeichel e o de Ronaldo defendido pelo guarda-redes do Irão.

Lesões: a evidente inferioridade física de Salah, que condicionou todo o desempenho do Egipto; e a lesão de Cavani, que tornou praticamente inexistente o ataque do Uruguai no jogo decisivo.

PARA O FUTURO

Entendemos que 32 equipas é o máximo admissível num campeonato do Mundo, com a duração aceitável de 32 dias, como aconteceu; foi bem organizado, embora os auto-elogios da FIFA se afigurem exagerados; e os desempates por disciplina são de elogiar e de manter.

Já o falhanço das equipas africanas e asiáticas (apenas uma passou a fase de grupos) e a quebra dos colossos sul-americanos nos quartos de final aponta para o estudo de outras modalidades; que pode ser, mantendo a organização dos quatro potes pelo ranking, o sorteio subsequente seja completamente aberto, admitindo no mesmo grupo várias equipas da mesma confederação, o que irá facilitar o acesso a patamares superiores da competição.

Impera a ideia de que o VAR tira ritmo ao jogo, podemos aceitar; mas há muitas outras situações muito mais gravosas, como sejam lançamentos laterais, pontapés de baliza, formação das barreiras, guarda-redes com a bola nas mãos, marcação de livres e de cantos. Tudo isto aponta para a necessidade de fazer a cronometragem exacta, no mínimo nas compensações e nos prolongamentos, sendo natural que passe a ser uma tarefa do VAR.

* Dados de Record
** Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995) e escreve segundo a antiga ortografia

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