Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

O fora de jogo

Quando se aborda a necessidade de alterar determinadas regras do futebol para o tornar mais atractivo, o fora de jogo é sempre citado em lugar de desstaque.

Pretende-se que haja mais golos? Se não fosse o fora de jogo… havia com certeza.

Deseja-se que a verdade desportiva seja menos beliscada por erros de arbitragem? De facto, é na análise dos fora de jogo que se centram as maiores polémicas, com fundamento em grosseiros erros de avaliação.

Não seria melhor limitar o fora de jogo a situações mais específicas e em áreas mais reduzidas do terreno de jogo? Sem dúvida, mas as hipóteses são muitas e a unanimidade não é fácil.

No limite, não será melhor acabar, pura e simplesmente, com o fora de jogo, tido como uma abencerragem no futebol moderno? Parece ser hipótese de considerar e até a comissão Van Basten, nomeada para o efeito, a incluiu no conjunto das suas propostas para melhorar o futebol.

Realmente a questão tem estas – e outras – vertentes susceptíveis de análise, sendo fundamental encontrar soluções que garantam que o futebol mantem o estilo actual.

De facto, não há fora de jogo no futsal, nem no futebol de praia, nem no minitutebol de que se disputou recentemente um mundial em Lisboa.

Mas será que, com a abolição do fora de jogo, as jogadas se vão desenrolar segundo o processo actual, nos planos ofensivo e defensivo, e que daí vai resultar um fartar de golos em ambas as balizas?

Tanto quanto se sabe face aos testes já realizados, tudo indica que o jogo seria bem diferente, com tudo ao molho dentro das áreas para eliminar a mínima hipótese de golo; e quando, por mero acaso, acontecesse algum, a defesa da curtíssima vantagem ainda seria mais agressiva…

Parece, pois que, não sendo de eliminar completamente a discussão, o assunto terá de ser muito bem analisado, antes de ser tomada qualquer decisão que possa dar razão ao aforismo "pior a emenda que o soneto".

Para já, há que manter o fora de jogo nos moldes actuais; até porque, com o VAR, a detecção de possíveis erros de avaliação é agora bem mais realista e a verdade desportiva está mais defendida.

* Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995); escreve segundo a antiga ortografia

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