O futebol e as leis da física

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Num painel televisivo recente em que intervieram conhecidas figuras do futebol, nomeadamente treinadores e jogadores, foram analisadas algumas incidências do jogo Sporting de Braga-Sporting da meia-final da Taça da Liga. Entre outros casos esteve a suposta falta cometida por Claudemir sobre Coates, um agarrão na grande  área dos bracarenses que o árbitro, após consulta do VAR, decidiu não punir. 

O que nos leva a abordar este caso não é tanto o agarrão (que, para nós, quando existe, deve ser aplicada a regra "agarrão = penalti"), mas a justificação dos jurados daquele painel para considerarem a inexistência de agarrão, ou a sua reduzida intensidade.

Tal justificação baseia-se no facto de Coates ter caído para a frente já que, dizem, só teria sido falta de Claudemir se o atacante, ao ser agarrado, tivesse caído para trás.

Analisemos então o que nos diz a Física sobre a aplicação dinâmica das forças, que se estuda no ensino secundário.

Assim, quando um corpo está sujeiro à acção de duas forças de sentido contrário (ou existe uma força contrariando um movimento), pode acontecer uma de três situações: i) se as forças se equivalem, o corpo não se move; ii) quando a força que empurra for mais intensa, o corpo move-se para a frente; iii) se a força mais intensa for a que puxa (agarra), o corpo move-se para trás.

No que concerne aos casos em que há movimento, a situação inverte-se: isto é, se a força que empurrava deixar de actuar, o corpo fica apenas sob acção da força que puxa e o corpo pára ou cai para trás; mas se a força que agarrava deixar de o fazer, a inércia do movimento faz o corpo cair para a frente. 

Simplificando, no caso concreto aconteceu o seguinte: i) inicialmente houve agarrão do defensor (Claudemir, a puxar para trás) ao então atacante (Coates, a movimentar-se para a frente); ii) quando o defensor deixou de agarrar, o atacante tentou continuar o movimento; iii) subitamente liberto do agarrão, desequilibrou-se e caiu, obviamente para a frente, como referimos – e o penalti ficou por assinalar.

A situação é muito simples de analisar, mas a conclusão é precisamente contrária à preconizada no painel. E para quem pretender ficar mais esclarecido basta consultar as três leis de Newton da Dinâmica clássica, disponíveis em qualquer livro de Física do 11.º ano de escolaridade.

Em tempo: Obrigado a MAJFL pelo comentário ao n/artigo Palpites… "Já errou na primeira!"  Realmente não falhámos só uma, mas duas vezes. De qualquer forma mantém-se a ideia-base de os jogos das duas finais serem diferentes dos quatro das meias; isto é, além do Sporting-FC Porto (que vai acontecer na Taça da Liga), resta o Benfica-Braga para a Taça de Portugal. Não acertava, mas ficava próximo... Um abraço Amigo!

 

*Antigo colaborador de Record (1991/97) e último Director da Gazeta dos Desportos (1995); esccreve segundo a antiga ortografia

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