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Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

O futuro do VAR

A dúvida entre discorrermos sobre o "futuro do VAR" ou sobre o que será o "VAR no futuro" serve apenas para introduzir um tema que vai, certamente, suscitar enorme controvérsia nos próximos 32 dias, ou seja, durante o Campeonato do Mundo de Futebol que se disputa na Rússia.

Introduzido na época 1917/18 em Portugal e em mais alguns países – com grande coragem, assinale-se, mas também correndo riscos porque muito pouco testado em fase experimental, no futebol –, tem de reconhecer-se que os seus responsáveis têm razões para se sentirem satisfeitos com os resultados obtidos, pesem embora os erros que naturalmente aconteceram.

De facto, na I Liga – dados recolhidos da imprensa –, foram avaliados 1869 lances (média de seis por jogo), mas em apenas 100 foi pedido ao Árbitro que alterasse a sua decisão, o que aconteceu em 76 casos; em síntese, foram 76 os erros evitados, o que terá contribuído para que fosse reposta a verdade desportiva; e mais teriam acontecido se as limitações impostas pelo protocolo – apenas quatro situações de jogo – não fossem tão redutoras da intervenção do VAR.

Que fazer, então, para melhorar a situação?
No plano do Árbitro, em caso de dúvida devem consultar sempre as imagens, assumido a responsabilidade pelas suas decisões com total conhecimento de causa.
No plano do VAR, ser aumentado o número de situações em que pode intervir, designadamente nos contactos dentro da área na sequência de bola parada; dispor de uma linha de fora de jogo visível que lhe permita avaliar com rigor, eliminando de vez a subjectiva; e ter acesso à tecnologia da linha de golo, já utilizada nalguns países.
As comunicações entre o Árbitro e o VAR devem ser audíveis no imediato, pelos comentadores e pelo público, criando mais transparência nas decisões; e as paragens do cronómetro devem também ser explicadas, de forma gestual codificada.

Entendemos ainda que é de encarar a utilização, como VAR, de antigos árbitros que tenham atingido categoria superior, podendo fazê-lo até aos 55 ou 60 anos; libertariam assim os actuais juízes para actuarem no terreno, podendo ter, todos os meses, uma ou duas actuações junto das equipas de VAR para sua actualização.

Preconizamos também que comece a ser testada a atribuição às mesas de VAR de funções de registo de infracções (como simulações, sucessão de faltas pelo mesmo jogador, hipotéticas lesões a provocar interrupções, acontecimentos fora do campo de visão do trio de arbitragem, e outras) ainda que só para alertar o árbitro principal, sem necessidade de interrupção.

Chegámos ao Mundial 2018 e, ao contrário da UEFA que continua relutante, a FIFA assumiu a adopção plena do VAR na competição mais importante a nível mundial, com meios superiores aos utilizados nas competições internas.

Oxalá corra tudo dentro da mais absoluta normalidade, mas podemos desde já antecipar que nada voltará a ser como dantes, não só em relação ao vídeo-árbitro como a outras tecnologias ainda em fase de estudo.

Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995) e escreve segundo a antiga ortografia
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