Contra a corrente

Ribeiro Soares
Ribeiro Soares

Porquê três pontos? (II)

Dois interessantes comentários recebidos fazem-nos voltar ao tema.

"Zero pontos para empates sem golos (…) deixaríamos de ver ferrolhos desde o 1.º minuto" – escreve TOMANAS; "só pontuava quem marcasse golos, em vez de termos equipas a defender um ponto antes de terem feito alguma coisa para o merecer".

É uma boa análise da situação e, porventura, uma boa ideia para a resolver; mas seria difícil evitar que, por acordo tácito, as equipas menos apetrechadas iniciassem os jogos a ritmo lento, até fazerem o 1-1; garantido o ponto, só então iriam discutir outro resultado, parecendo-nos não haver forma de evitar aquele tipo de anti-jogo.

Já SCP = SOMOS CAPACHOS comenta: "Julgo que sem o incentivo dos 3 pontos por vitória voltaríamos a uma enorme quantidade de empates 0-0, completamente desinteressantes entre equipas do meio até ao fundo da tabela".

Como se diz aberto à discussão, foi com prazer que nos fomos documentar: analisámos os quatro últimos campeonatos em que a vitória valia 2 pontos (1991/92 até 1994/95) e os quatro primeiros em que passou a valer 3 pontos (1995/96 até 1998/99); e também os quatro mais recentes da I Liga (2014/15 a 2017/18), todos disputados por 18 equipas.

A primeira constatação diz respeito ao número de golos, sempre crescente: de 1991 a 1995, entre 715 e 750 golos, média 732 por campeonato; de 1995 a 1999, entre 717 e 810, média 764; e de 2014 a 2018, entre 728 e 831 golos, média 787.

Em relação aos empates, no tempo dos 2 pontos, houve sucessivamente 89, 82,79 e 77 (total 327, média 82 por campeonato); no início dos 3 pontos, exactamente o mesmo total e média, com 73, 79, 81 e 94 empates.
Logo, sem qualquer efeito a bonificação, uma vez que a média de vitórias foi também idêntica (224), oscilando entre 229 (em 1994/95) e 212 (curiosamente em 1998/99).
Já nos últimos campeonatos da Liga o número de empates baixou (302, média 75,5), sendo de assinalar os valores de 2017/18, com apenas 61 empates e, consequentemente, o máximo de vitórias, 245.

Para quem gosta de estatísticas aqui ficam as médias relativas aos 12 campeonatos estudados (3.672 desafios): em cada campeonato, as 18 equipas não marcaram 192 vezes, isto é, ficaram em branco 31% dos jogos; registaram-se 28 empates 0-0 e 63 resultados de 1-0; ou seja, em praticamente 30% dos jogos marcou-se, o máximo, um golo!

PS – Meu caro SCP: não largo a antiga ortografia, porque tenho muito orgulho na língua que aprendi e que continuo "a ler como se escreve e assim se fala"; ao contrário do AO90 que, entre outros defeitos, não tem unificação ortográfica, não foi sujeito a discussão pública e escondeu os pareceres contrários à sua aplicação (25 em 27, incluindo o do Ministério da Educação); foi posto em execução antes da aprovação de todos os países da CPLP, como era suposto e sobrevive como facto consumado através de legislação ilegal (passe o contra senso). Se quiser mais, procure o meu contacto que terei muito gosto em lhe enviar a opinião negativa de vários dos maiores escritores brasileiros contemporâneos.

* Antigo colaborador de Record (1991/97), foi o último Director da Gazeta dos Desportos (1995) e escreve segundo a antiga ortografia

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