Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

A tempestade e duas notas

Se bem se recordam, o meu último artigo tinha por título: "Sérgio, Jesus, Vitória". Estive quase para repetir o mesmo na minha crónica de hoje, pois se na semana passada eram as contingências da jornada que contribuíram para ele, nesta, foi o que se passou na sala de imprensa que marcou o andar do futebol português.

Não esqueço o enorme feito do Caldas e a vitória épica do Aves em Vila do Conde, que pode deixar o vencedor desta eliminatória entre eles na Liga Europa, para lá da honra de estar no Jamor. Porém, como retratou bem o Record numa manchete, o clima foi de "Pegados". Rui Vitória disparou, Sérgio Conceição ripostou, Jorge Jesus apoiou o seu amigo e delfim, o Benfica contra-atacou e o treinador do Porto carregou no boneco do filho. Uma tempestade de palavras, de jogo fora do campo, que não é tão bonito como o que é jogado com a bola, mas quando os contendores são bons é interessante de acompanhar desde que não se ultrapassem as marcas.

Ora, todos sabemos que há ‘mind games’ e isso é perfeitamente respeitável, agora, os treinadores têm sido uma reserva de civilidade no meio de um mundo que está marcado pelo excesso de ruído e pelo disparate. Não podíamos neste momento correr o risco de os três responsáveis técnicos entrarem num folclore ao nível do pior dos painéis de comentários televisivos. Uma coisa é a competição, outra, mas não diferente pois ambas são indispensáveis, é a educação. Logo, Sérgio Conceição, inteligente, percebeu que não estava a contribuir para o bem da indústria e pediu respeitosamente desculpa por se ter excedido.

Julgo que assim continuamos no bom caminho e é fantástico que sejam três bons treinadores a marcar os eixos que não podem ser ultrapassados. Provavelmente este trio nunca leu ‘A Tempestade’, de Shakespeare, mas deixo um trecho que lhes dedico: "Pois mesmo na torrente, tempestade, eu diria até no torvelinho da paixão, é preciso conceber e exprimir sobriedade – o que engrandece a acção".

Mas esta semana há mais três notas que não posso deixar passar. Em Liverpool, 120 milhões de euros (mais 40 de variáveis) pagos pelo Barcelona por Philippe Coutinho. Todos sabemos que já são excepções as relações duradouras entre um homem e um emblema. No entanto, o que é eterno é o respeito dos clubes pelos adeptos. Por isso, magnífico o registo do marketing dos reds que decidiu oferecer um vale de 50 libras a quem inscreveu na camisola que comprou o nome do brasileiro que rumou para a Catalunha.

E no leilão que vai decorrer, ainda este mês, relativo aos direitos televisivos da Premier League para o período 2019/2022, vemos que Facebook, Netflix, Amazon e Twitter estão na corrida. Se a realidade mediática mexeu com as redes sociais, vemos que um dos conteúdos mais valiosos faz salivar as empresas que se tornaram os tubarões na capitalização bolsista. E este fenómeno chegará a Portugal e será o futuro. Que se preparem NOS e MEO.

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