Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

Batota fora do futebol e Salah

No futebol só pode haver um caminho: o da verdade. Tudo o que seja batota ou qualquer intervenção para adulterar a seriedade do jogo deve ser clara e gravosamente punida. Ontem, soubemos que a Autoridade Antidopagem decidiu controlar os jogadores dos três grandes, verificação efectuada ao sangue, urina e EPO e, tal como em outras modalidades, nomeadamente, ciclismo e atletismo, se houver batoteiros a usar substâncias que alteram o rendimento desportivo o caminho só pode ser um: a expulsão.

O Octávio Ribeiro, num notável artigo publicado no Record, a propósito da Procuradoria-Geral da República ter juntado numa equipa todos os indícios sobre crimes relacionados com o desporto-rei, dizia uma verdade lapidar sobre o espectáculo: «a essência é acreditarmos que todos os intervenientes estão a dar o seu máximo para deixarem a melhor imagem possível». Ora, quando a tentação de adulterar a competição e o esforço dos atletas, violando a magia do desporto, se impõe, isso é um duro golpe nos adeptos e uma desilusão para milhões de pessoas que respeitavam os seus ídolos e campeões. Lance Armstrong foi o caso mais paradigmático de uma fraude aos olhos de todos.

Porém não é só o doping que é chocante. Actualmente, julgo também como o Octávio Ribeiro, que a maior ameaça ao futebol vem das apostas desportivas. E, sinceramente, julgo que é desprezível o atleta que se vende e trai os colegas, depois de atraído por uns milhares de euros pagos por uma corja de bandidos que anda à volta dos relvados como sanguessugas. Aí não pode mesmo haver contemplações, ervas daninhas têm de ser cortadas pela raiz. E por isso mesmo tem de haver um enorme controlo das Ligas mundiais sobre uma série de empresários que compram clubes em diversos pontos do globo sem sabermos muito bem de onde vem o capital. A corrupção é lama, logo, suja e mancha e a beleza do desporto não pode ser destruída pelo dinheiro sem rosto.

Portugal já teve casos de doping e viciação de resultados por apostas e, além destes exemplos de batota, não podemos escamotear as tentativas de diversos emblemas influenciarem o curso dos resultados por mão invisível nas esferas de decisão, tal como foi patente nos alegados mails de Domingos Soares de Oliveira que esboçavam uma estratégia de controlo do futebol português. Também isto tem de ser expurgado. Todos estes fenómenos estão a envenenar a verdade desportiva e são como o arsénico que mata lentamente mas é inexorável.

Mohamed Salah é o homem do momento e um dos melhores jogadores do ano levando o Liverpool às costas na Champions. Contudo, relembro algo: para estar ao nível de Cristiano Ronaldo e Messi não basta uma temporada, tem de se ser sólido durante muitos anos. Vejam o que se passa no Mundial de Snooker, onde sete cabeças-de-série já foram eliminados na primeira ronda, inclusive o campeão do mundo, Mark Selby. Talentos há muitos, mas os deuses são os que lá estão sempre no top. Salah é um prodígio, um faraó, para chegar ao Olimpo tem de continuar a impressionar nos próximos anos.

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