Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

Há dúvidas sobre Sérgio Conceição?

Não tenho a pretensão de ser a pitonisa do reino como Marques Mendes, mas, quando vi o Porto a triturar o campeão francês com três golos e um banho táctico inesquecível, lembrei-me do artigo que aqui escrevi em 21 de Julho, antes de começar a época, que se chamava "O sangue de Sérgio Conceição". Ali alertava para que a ausência de reforços não ia tirar um pingo de ambição aos azuis e brancos. Porque a alma estava de volta com o novo treinador, sanguíneo, um competidor nato que deixava tudo em campo, e a equipa iria jogar à sua imagem.

Tudo o que está a acontecer no Dragão tem um único responsável: Sérgio Conceição (SC). Quando no dia anterior ao confronto com os monegascos, e que bem ele tem estado no discurso e declarações públicas, afirmou sem pudores nem receios "fica aqui a promessa: vamos demonstrar a nossa grandeza", vi o espírito de campeão a inspirar os seus. Quando vi SC a apostar num jogador, Sérgio Oliveira, que ainda não tinha um minuto nas pernas, senti o mesmo que o António Magalhães descreveu na sua coluna: "técnico e grupo estão em plena sintonia" e há um compromisso de aço de união entre todos.

Quanto vi o técnico a mudar o sistema táctico, sem insistir teimosamente no modelo que usa para consumo interno e que lhe valeu a derrota com o Besiktas, estava nítida a sua evolução e a humildade de aprender com os seus erros. E, para terminar, notei a ligação do grupo de trabalho com os adeptos que estiveram no Mónaco como se do seu estádio se tratasse.

SC é o novo flautista de Hamelin, a sua música limpou os problemas que havia no Dragão. Há uma comunhão entre todos que torna o Porto outra vez temível e insaciável por triunfos. E que pode ser um ‘case-study’ em termos de construção de plantel. Convém não esquecer que ele agarrou num bando de renegados por outros, para construir a sua armada. Ricardo Pereira, Sérgio Oliveira, Diego Reyes, Brahimi (um mágico que é um regalo para quem gosta de futebol), Marega, Aboubakar andaram emprestados ou mal tratados injustamente. SC quase que encarna a raínha Daenerys da Guerra dos Tronos, quando sussurrava para os seus dragões: "dracarys", e era vê-los a voar soltando o pânico sobre os adversários.

Mas, acima de tudo, este arranque de 2017/18, se alguém tinha dúvidas, prova que Sérgio Conceição é um grande treinador, com discurso que conhece, compreende e sente a realidade onde está inserido e um bom condutor de homens. No domingo vem outro grande teste. Com o Sporting irá defrontar um amigo que é uma referência para si, um grande treinador também e um onze que também está confiante e com a moral em alta depois da excelente exibição com o Barcelona que encheu de orgulho todos os sportinguistas. Será um clássico excitante que une as duas equipas mais fortes do campeonato. Um duelo fabuloso, um choque de titãs. Que ganhe a minha equipa, mas cuidado com os dragões.
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