Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

Mourinho, Jesus e o Gabinete

Há em Portugal uma série de pobre gente que se entusiasma com o fracasso dos que têm mérito. José Mourinho é um treinador que já está na história do futebol mundial e português. Não só porque é um campeão com uma galeria de títulos inolvidável, também porque as suas vitórias e competência abriram portas aos treinadores nacionais. Na próxima época a Premier League poderá ter o próprio, Carlos Carvalhal, no Swansea, Nuno Espírito Santo, nos Wolves, e Marco Silva. Isto é um feito relevantíssimo para Portugal e não seria possível se não houvesse José Mourinho.

É certo que tenho saudades do seu esplendoroso tempo de futebol de ataque, especialmente ao serviço do Porto, depois, e apesar da sua passagem por Itália ter dado uma Champions e diversos "scudettos" ao Inter, o seu modelo de jogo tornou-se "resultadista", como se a obrigação de ganhar se impusesse no seu pensamento à capacidade de jogar bonito e encher o olho para a plateia. Hoje, Mourinho não está nos "cânones" da beleza do ludopédio, por vezes, e com tanta gente de qualidade no plantel, o Manchester United torna-se chato de ver. Eu sou um apreciador do seu carisma e do seu talento e desejo ardentemente que consiga bater o pé ao espectacular City de Guardiola. Está na altura de se reinventar porque ainda tem muitas alegrias para dar aos adeptos.

Outro treinador que muito estimo é Jorge Jesus. Naturalmente, não gosto de tudo, a unanimidade é burra, dizia o Nelson Rodrigues, mas, mesmo quando falha, sabemos que não é por beliscar o seu projecto e ideia de jogo. É um homem que quer ganhar sempre, como Mourinho, convive mal com a derrota, como todos os triunfadores, contudo, tem uma percepção clara que a segurança defensiva e posse de bola com os olhos na baliza contrária é o único caminho para o sucesso.

No Dragão, o próprio reconheceu que estava mais difícil para o Sporting com a derrota. No entanto, o percalço do Porto na capital do móvel, fez regressar a esperança aos adeptos leoninos que ainda contam com a sua astúcia para conquistar a Taça e a Liga Europa. Este ano poderá bater o número de jogos realizados numa época por uma equipa portuguesa, isso é fruto da sua ambição de disputar até ao fim todas as provas em que entra. E certo é que estes patamares de competitividade têm angariado magníficos números de assistência em Alvalade e uma valorização dos jogadores sportinguistas que não pode ser despicienda na análise do seu trabalho. Jesus é um dos melhores, que ninguém tenha dúvidas disso.

Depois do presidente do Benfica ter dito que só sabia da E-Toupeira pelos jornais, parece que acordou de uma letargia onde se deixou acomodar, como se a pose de pretenso estadista resolvesse os inúmeros problemas judiciais que impendem sobre o clube da Luz. O Gabinete de Crise procura apenas uma coisa: municiar com armas jurídicas o combate e condicionar as opiniões livres através de interpelações e mais processos judiciais. Não gosto de lama, gosto de futebol. Não gosto de trapalhadas, gosto de esclarecimentos claros. É disso que o Benfica precisa neste momento.

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