Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

Não há um favorito claro

Arranca hoje a Premier League, o palco mais visto do futebol mundial, onde recém-promovidos gastam 150 milhões em aquisições, o último classificado da recente época recebe 125 milhões de direitos televisivos e se paga sem hesitações nem vergonha 80 milhões por um projeto de guarda-redes, como acaba de fazer o Chelsea com Kepa. Face a isto, o início da Liga portuguesa, "muitíssimo empobrecida", como bem escreveu no Record o José Manuel Freitas, surge com tibieza evidente, na penúria, pois todos os clubes estão aflitos, por muito que tentem ludibriar os adeptos.

Há um ano, recordo que comentadores apontavam Benfica e Sporting como favoritos claros, olvidando o Porto, que se apresentava parco em reforços e com um treinador que lhes levantava dúvidas. Ao contrário destes, não hesitei aqui em escrever que Sérgio Conceição era o maior reforço dos dragões e a sua alma de batalhador e campeão fortalecia o grupo de trabalho e revitalizava os portistas. Sem ligar muito à pré-época, apenas treino e sinais que guardamos, tenho para mim que podemos ter uma competição equilibrada, nivelada por baixo e com mais perda de pontos nos confrontos com os restantes adversários. Não há um favorito que empolgue, todos têm deficiências.

No Porto, o treinador quer mais opções, tem o caso Marega e a lesão de Soares a debilitar a frente de ataque. Tem dois jovens talentos que vão jogar, Diogo Leite e André Pereira, faltam mais alas e o regresso de Danilo Pereira será a boa notícia. Mas a ambição está toda lá, e se o sangue de Sérgio Conceição pode bastar a nível interno, para a Champions parece-me curto. No Benfica, que se apresentou contra o Fenerbahçe com 8 jogadores que já constavam, com o acréscimo da pérola Gedson, Vlachodimos e Ferreyra, temos a situação de Jonas a obrigar Vieira a explicar-se e a anunciar que ainda está no mercado, isto após o regresso ao viveiro de talentos sul-americano onde gastaram como não fizeram o ano passado, quando tinham o objectivo penta. E sinto que a plateia da Luz vem perdendo a paciência com Rui Vitória.

O Sporting vive uma experiência que já não tinha há uns anos: adeptos desconfiados e com menos ilusão na época que aí vem. A situação é complicada, José Peseiro não encanta, são necessárias trutas e muitos dos craques estão com a preparação física atrasada. Mas como as expectativas são baixas, a equipa está livre de uma maior pressão – mas não de exigência máxima – e desejo que consiga surpreender os mais incrédulos. Em suma, previsões são muito nebulosas, pois ninguém está fortíssimo e arrasador, e ainda temos um Braga bem construído, optimista, confiante na ideia de jogo atractiva de Abel Ferreira, que este ano vai estar definitivamente na luta. Que role a bola, com menos polémica, menos jogo falado, menos casos judiciais e de arbitragem. Porque o que nos interessa verdadeiramente é que o silêncio ajude as estrelas a brilharem. No campo.

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