Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

O ano do polvo e as apostas viciadas

Este foi um ano marcado por muitos temas à volta do futebol e não foi bonito. Diversos tentáculos foram aparecendo que influenciaram o que se passa dentro das quatro linhas. Cartilhas preparadas para manipulação da informação e opinião pública, mails com todo o tipo de ligações com árbitros, delegados, observadores e ainda para gozo geral cenas de "senhoras prendadas" e bruxos.

Aos nomes de craques que nos fazem vibrar com o jogo como Gelson Martins, William Carvalho, Pizzi, Jonas, Aboubakar, Brahimi, entre tantos outros e só citei jogadores dos três grandes, sobrepuseram-se os de Pedro Guerra, Paulo Gonçalves, Rui Gomes da Silva, Horácio Piriquito, André Ventura. Estes últimos, fazem parte de um rol de gente ao serviço do Benfica e que com muita classe, semana a semana, o Porto Canal foi denunciando e desmistificando.

Confesso que destes tentáculos do polvo já sabia de alguns, especialmente o papel exercido por Paulo Gonçalves nos bastidores. E num programa de televisão que tinha na ETV, depois da conquista do primeiro campeonato de Rui Vitória, com ironia, dei os parabéns a dois homens: João Gabriel, o mais influente director de comunicação de um clube de futebol nos últimos 20 anos e que semeou o poder do Benfica nos media e a Paulo Gonçalves pelas suas amizades e relacionamentos nas catacumbas de quem dirige o desporto-rei.

Mas este polvo tem uma cabeça e é tempo de a esclarecer. Os leitores sabem que em todas as actividades o responsável em tudo é o líder. Nos bons e nos maus momentos o líder é sempre a entidade suprema. Quem é que nunca se pode desculpar com o facto de não saber o que se passa? O líder. Quem recebe prémios pela actividade de um clube ou empresa? O líder. Quem sobe ao palco nos momentos dos troféus conquistados? O líder. Ora, o líder dos encarnados chama-se Luís Filipe Vieira. Ele que não se desculpe porque nada foi idealizado e concebido sem o seu conhecimento. Se assim fosse era um mero boneco, mas como em termos mediáticos é vendido como um grande líder, então que assuma as responsabilidades e que tenha a coragem de pôr um ponto final nesta rede tentacular que só ensombra a reputação da instituição que lidera e retira o mérito a conquistas que possa ter dentro do campo porque subsistem as dúvidas fora dele.

E o ano termina ainda com mais um lamaçal. Tal como o doping é batota e altera a honestidade de uma competição, o "match-fixing" é das maiores pragas nos tempos modernos. Quatro jogadores do Rio Ave arguidos num jogo da temporada passada. O clube não tem qualquer culpa e muito bem estiveram os vila-condenses ao estar ao lado da apuração até às últimas consequências dos factos ocorridos. Aqui, o caso é de um bando de pulhas que aproveita as fraquezas dos homens para os aliciar para apostas viciadas. Se houver culpados que sejam banidos da profissão, porque tudo isto é um nojo e os adeptos querem verdade desportiva.

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