Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

O Malheiro, o Prata e o clássico

Quando decidi chamar a esta minha coluna, Factor Racional, sei porque o fiz. A racionalidade pode estar a espaços submersa em águas profundas, mas é nela que residem a solidez dos passos fortes, as análises equilibradas e a robusta raiz da confiança. Ela tem de estar sempre na moda, porque o barulho, a insanidade, podem tentar montar tenda mas chega o momento em que as pessoas se cansam e fartam de tanta imbecilidade e cretinice em torno do futebol.

Nesta semana enviaram-me um vídeo de um canal que não tenho, onde um comentador atacava desbragadamente «o Malheirinho e o Prata» e ainda tentava lançar a semente do ódio contra o melhor programa de comentário de bola da televisão portuguesa que se chama "Grande Área" na RTP3, onde se discute o jogo, os jogadores, as tácticas, as estratégias, se elogia e se critica consoante a actualidade, os resultados e as exibições, e não se perde tempo com o que se passa fora das quatro linhas.

Claro que respeito quem não gosta do Rui Malheiro e do Bruno Prata, estão no seu direito, uns até podem não gostar do cabelo de um e das camisas do outro, e isso é perfeitamente normal. Agora, vilipendiarem sem pudor dois homens sérios, com uma história de credibilidade e competência no campo da imparcialidade das análises é lamentável. Não pode valer tudo. Eu não ofendo quem proferiu essas palavras, é o meu estilo, apenas não lhe dou antena nem "share" de audiências nos programas em que participa e julgo que é assim que devem proceder as pessoas de bem. Quem não gosta, muda de canal e temos esse direito também.

Mas chegou o tempo dos leitores perceberem quem faz bem ao futebol e quem tenta meter lama na ventoinha para atingir quem não merece ser salpicado de sujidade. Ora, o bem convive mal com o lodaçal e não se pode deixar contaminar por ele. Como bem aqui escrevia ontem o Octávio Ribeiro: «são os parasitas, os cágados regurgitantes em torno deste maravilhoso fenómeno, o futebol, que o estragam e tornam azedo. Irão matá-lo, se deixarmos». Da minha parte não contem com irracionalidade. É um gosto escrever nesta grande instituição que se chama Record e um enorme prazer conviver nestas páginas com o Rui Malheiro e o Bruno Prata.

Hoje, temos um clássico importante. Há meses, contra-corrente, escrevi um artigo que se intitulava: «O Benfica ainda não perdeu nada». Punha água na fervura da soberba de alguns e chamava a atenção para as muitas jornadas que ainda vinham pela frente. Como sportinguista, o resultado que mais me interessa é a vitória sobre o Belenenses para depois poder esperar por um empate que tira pontos aos dois rivais. Para um amante do desporto-rei o que importa é a competitividade da Liga e uma luta a três, com um sensacional Braga de nota artística à espreita, é sempre mais espectacular que um título decidido em Dezembro.
1
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade