Rui Calafate

Rui Calafate Consultor de comunicação

O menino sem medo da fogueira

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1] A sequência de quatro jogos consecutivos sem triunfar – três derrotas e um empate – relançou a luta pelo título e findou o sonho rubro de chegar a Istambul. Roger Schmidt, que parecera demasiado contemplativo e pouco proactivo nos desaires ante FC Porto (casa), Inter (casa) e Chaves (fora), percebeu, ainda em Milão, que precisava de fazer mudanças num onze-base conjeturável e psicologicamente aluído, dentro de uma ideia de jogo inegociável e pouco dada a ajustes estratégicos. Assim, a inserção de novos protagonistas tornar-se-ia crucial para obsequiar o estímulo psicológico, técnico e tático que permitisse dar a volta à crise. Sem Bah, a recuperar da lesão sofrida ante o FC Porto, o alemão percebeu que a entrega inexcedível de Gilberto, errático nas decisões com bola e permeável no capítulo defensivo, até por uma interpretação deficiente da defesa zonal e por erros inaceitáveis de posicionamento e de postura corporal, era insuficiente, e estava a aniquilar o corredor direito dos encarnados. A solução, testada na etapa complementar em Milão, passou pela adaptação de Aursnes a lateral-direito. Longe de ser perfeita, até pela falta de rotinas do canivete norueguês, a sua mais-valia técnica, tática e mental sobre o brasileiro acabou por ser capital para que a escolha tivesse sortido efeitos positivos. Não só porque os opositores seguiram a privilegiar o seu corredor esquerdo para criar ruído no processo defensivo das águias, só que sem chegarem com qualidade a zonas de definição, mesmo que Aursnes revele arduidades no um contra um e a fechar corretamente as diagonais para o espaço interior, mas sobretudo porque o versátil médio-centro, que já foi utilizado a médio-ala-esquerdo, a médio-ala-direito e a segundo-avançado, é muito mais fiável com bola. O que assegura novas alternativas na saída a três, ao fixar-se no centro-direita, conferindo mais liberdade de ação a um dos médios-centro, como também nos desdobramentos pelo corredor ou nas penetrações pelo espaço interior, pela maior qualidade na associação através do passe.             

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