Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

O novo José Peseiro

José Peseiro, gostem ou não, é a principal figura da temporada do Sporting. Com um presidente que se remeteu ao silêncio e, a meu ver, bem, pois não tem dotes de comunicador e muita coisa há para trabalhar em bastidores, tem sido o técnico ribatejano a comandar a ocupação do espaço mediático leonino. Tenho simpatia por ele, é um homem correcto, treinador competente, porém, pelo seu trajecto anterior ao serviço do clube não enche as medidas a muitos adeptos.

Compreendo os que mostram dúvidas pelo seu desempenho, pois a sua passagem por Alvalade criou duas percepções que ele hoje tenta emendar: 1- que era pé frio e não ganhou nada; 2- que era mole no balneário. Ora, no primeiro caso, é uma verdade que Peseiro podia ter atingido o Céu, contudo, ficou-se pelas brasas do Inferno. Lutou pelo campeonato até ao fim, mas perdeu ingloriamente na Luz com uma falta de Luisão sobre Ricardo e nas competições europeias chegar a uma final, proeza ao alcance de poucos, e depois deixar-se bater na própria casa com o CSKA criou um trauma difícil de ultrapassar. No entanto, não podemos tirar um milímetro no mérito dessa temporada e muito menos desprezar a qualidade do futebol apresentado e que na minha memória estará entre os melhores que vi. Agora, segue com as esperanças intactas, já visitou Benfica e Braga, a equipa está a consolidar processos, a ganhar mais posse e circulação, está unida e motivada, e não podemos esquecer que o plantel, neste momento, não tem todas as soluções disponíveis.

Quanto ao segundo caso, o destempero de Nani na cidade dos Arcebispos veio dar imenso jeito a José Peseiro. Um capitão de equipa com 31 anos e 112 internacionalizações tem todo o direito de não gostar de ser substituído, mas não pode ser birrento e pôr em causa a relação de autoridade com o treinador. Num momento complicado, o regresso de Nani foi um suplemento anímico para os sportinguistas e cabe a ele manter essa relação de amor com as bancadas. A decisão de Peseiro de o tirar da equipa com o Marítimo e voltar a dar-lhe a braçadeira na Ucrânia como anunciou (este artigo é escrito antes do jogo), prova que o treinador mole com o balneário de outros tempos acabou. Quem manda é ele e foi superlativo na conferência de imprensa: «fui eu que decidi tudo, o Nani vai jogar e ser capitão». Assunto encerrado e sem sombras chinesas.

Este é o retrato do novo José Peseiro e se alguém tem dúvidas sugiro que vejam a diferença dele no banco do passado para os dias de hoje. A sua linguagem corporal mudou, a passividade que por vezes transmitia está a ser substituída por gestos mais expressivos e afirmativos, mantém a calma nas declarações públicas, porém, está mais explosivo na postura como se essa fosse a nova armadura que será o substrato das conquistas que tanto deseja, porque capacidade de trabalho e talento sempre nele moraram. Que tenha sorte.

Última nota para Miguel Cardoso. De um Rio Ave moderno que era uma delícia para quem o via jogar, para um Nantes com um milionário presidente com gosto por se meter onde não é chamado. A sua proposta de jogo e a sua filosofia nunca se deixaram prostituir por interferências de amadores, conquistou os adeptos que se manifestaram contra a sua saída. A competência e o prestígio dos técnicos portugueses não sai beliscada com esta aventura. Continuamos a ter dos melhores treinadores do mundo

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