Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

O Sporting não é um banco

Agora já é definitivo o quadro de candidatos à presidência do Sporting. São sete os sportinguistas que mostraram essa disponibilidade e merecem o meu respeito pela vontade que têm de servir o clube. Serão muitos? Talvez. Não há um favorito claro numa campanha que vai depender bastante do desenrolar dos debates. E tenho a convicção que, qualquer que seja o vencedor, enfrentará uma árdua tarefa na recomposição de uma família que está muito dividida.

A campanha vai sendo tranquila, felizmente pela positiva, com a apresentação de ideias, rostos e soluções. Ainda não é esclarecedora pois faltam muitos trunfos para mostrar e os duelos é que marcarão a consolidação da "persona" de todos os envolvidos. Dias Ferreira disse esta semana que o Sporting não é um banco, numa alusão ao discurso apresentado por José Maria Ricciardi. Ora, a vertente financeira é o ponto forte do homem que presidiu ao BESI, o qual legitimamente tem toda a liberdade para na sua comunicação colocar o acento tónico nos assuntos que domina. Cabe é aos outros adversários desmantelar e desmistificar o seu discurso e contrabalançar com a sua própria visão.

Para mim, o Sporting também não é um banco, é um projecto desportivo. É no futebol e nas outras modalidades que está "o core" e a nossa ligação emocional ao emblema verde e branco. Quero recordar que sempre que se focou a comunicação e os objectivos na vertente financeira foi o descalabro. Nos tempos dos magos da gestão do projecto Roquette residiram as origens do buraco financeiro que o Sporting ainda paga. E não me esqueço dos tristes tempos de Godinho Lopes onde quase todos os dias se alienavam percentagens dos passes de jogadores a bancos para pagar salários e o clube estava completamente manietado por um défice de tesouraria que levou à pior classificação de sempre no campeonato depois da desastrosa escolha de Vercauteren, efectuada por quem nada percebia do desporto-rei.

Ao contrário do que dizem os profetas da desgraça, a situação do Sporting não é calamitosa. Não há nenhuma mina de ouro também, mas todos os problemas podem ser resolvidos com gestão racional, sem loucuras, com os pés bem assentes na terra. Qualquer CEO (uma ideia introduzida por João Benedito no seu programa e outros copiaram) que venha para o clube terá capacidade de negociação com credores e uma nova liderança possibilitará um patamar de confiança que dará garantias a todos os que tomarem firme uma posição no empréstimo obrigacionista que irá ocorrer. Agora, esqueçam as soluções mágicas, a base passará pelo sucesso desportivo e por saber potenciar e dar nova alma à Academia de Alcochete. Aí, é que esteve sempre o nosso petróleo. Não é tempo de amadores para um projecto desportivo.

Uma nota final para o ciclismo. Mais uma Volta a Portugal em que o Sporting nada ganhou e tinha este ano o plantel mais equilibrado dos últimos três anos. Respeito o director-despotivo, Vidal Fitas, mas é tempo de ele perceber que não é apenas treinador do Tavira. É do Sporting/Tavira e exige-se outro tipo de ambição, outro tipo de posicionamento e discurso. O Sporting é uma potência nacional e internacional não é uma colectividade de bairro.

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