Sérgio e o desporto que sobreviveu
Há três semanas intitulei o meu artigo desta maneira: "E uma estátua para Sérgio Conceição?". Ali, descrevia como a crítica que faz vénias a certos treinadores sem currículo, demorava a reconhecer todo o mérito a um grande estratega e treinador que se tornará este fim-de-semana o terceiro com mais jogos ao serviço do FC Porto (só superado por Pedroto e Artur Jorge). Foi, aliás, essa a primeira pergunta da magnífica entrevista do Record na sequência da justíssima atribuição do Prémio Artur Agostinho. Ganhou três competições em 2020, voltou a colocar os dragões nos oitavos de final da Champions, deu troféus, orgulho e encheu os cofres de um clube que precisa de recuperar a pujança financeira. Gosto muito do Sérgio Conceição, fico contente pelo reconhecimento que este jornal lhe concedeu, sem esquecer que foi a sua dor e luta que lhe deram tudo o que tem, pois quem nasce de famílias humildes sabe que para ser feliz na plenitude só tem duas opções na vida: vencer ou vencer. Mas este digníssimo Prémio honra também um ser humano que não falha no momento em que os mais carenciados precisam, um homem de espinha dorsal direita, duro mas com uma integridade cimentada em princípios e valores que por vezes andam desaparecidos da nossa comunidade. Vi, em outra notável entrevista na RTP, que a palavra que mais ouvia na casa dos seus pais era "respeito". O meu respeito vai inteiramente para ele.