Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

Só Cristiano Ronaldo?

As opiniões eram unânimes antes da partida para a Rússia. A Seleção Nacional tinha opções mais ricas do que o grupo que partiu para França. Era com uma série de novos talentos, mais uma excelsa geração produzida pelas formações dos clubes, na vertente criativa e atacante, pois atrás ainda não temos um viveiro que nos tranquilize para o futuro, que tínhamos ainda mais esperanças do que aquando do Europeu.

Portugal tem todas as hipóteses, e a obrigação também, de seguir em frente para os oitavos onde terá Rússia ou Uruguai como adversário. Mas o que se tem visto, em termos de nota artística, tem sido sofrível. Contra Marrocos foi paupérrima a imagem transmitida, deixando visivelmente irritado Fernando Santos, que, como disse, não compreende como a bola tem pesado chumbo e se tem perdido o controlo do jogo, obrigando a equipa a desgastar-se muito mais.

E é exatamente nessa nova geração que, para já, mas tenho esperança que evolua, as coisas não têm corrido bem. Gonçalo Guedes, Bernardo Silva e mesmo Gelson Martins e Bruno Fernandes têm sido pálidos no fulgor que habitualmente colocam em campo. Portugal festejou exuberantemente o empate com Espanha e uma estratosférica exibição do melhor jogador português de todos os tempos, uma máquina inabalável de bater recordes, porém, entrou em depressão com uma vitória insonsa sobre os ‘Leões do Atlas’. Pois as dúvidas da capacidade da equipa encolheram a alegria dos 4 pontos já conquistados.

Lidamos mal com a pressão de ser favoritos, temos uma cultura embrenhada de décadas de modelo de jogo na expetativa e por vezes a redondinha queima quando se tem de assumir o jogo. Essa é a verdade insofismável do futebol português. Como ‘under dog’ conseguimos surpreender, quando temos de vestir a pele de lobo as pernas tremem muito mais. Fernando Santos é um treinador experiente, com trabalhos notáveis em vários projetos, um sublime condutor de homens e aglutinador de grupos e de egos e, neste Mundial, precisa de libertar psicologicamente os 23 escolhidos. É um trabalho ao seu alcance e acredito nele. Felizmente que o nosso abono de família está em grande. Ao olhar para ele vemos um homem seguro, na plenitude das suas capacidades e que soube evoluir para um capitão respeitado por todos. Aliás, é evidente a diferença para Messi, preso e abúlico, no seu labirinto e sempre sob o fantasma de Diego Maradona que tudo deu à Argentina ao contrário dele. Cristiano Ronaldo sozinho não chega para tudo, que venha o ketchup dos outros magos portugueses para que a nossa ambição chegue à final.

O autor escreve segundo a antiga ortografia

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