Record

Factor racional

Rui Calafate
Rui Calafate Consultor de comunicação

Um programa para o Sporting

Em tempo de eleições vou dar a minha visão sobre diversos temas que deviam estar na base de um programa de candidatura de qualquer candidato no Sporting:


Modelo de Gestão – Regime presidencialista em que o líder acumula a presidência do clube e da SAD. Os vices constituem um «board advisor» do presidente com poderes de supervisão sobre os diversos sectores de actividade do clube. A gestão corrente e decisões diárias serão da responsabilidade dos directores profissionais de cada pelouro que devem ter contratos de dois anos (um ano para conhecer os cantos à casa, pôr a máquina a funcionar) por objectivos, renováveis por mais dois se for realizado um bom trabalho. Salários a preço de mercado e não com vencimentos de marajá porque o Sporting não é um clube rico.

Transparência e Remuneração – 1- Limitação de mandatos- Um presidente só pode ter dois mandatos de 5 anos. Para quê? Para evitar tentações ditatoriais, nepotismo, clientelismo e "lapismo". Com uma excepção, só se tiver realizado excepcional trabalho e com a aprovação em AG de mais de 90 por cento dos sócios é que poderá ter o direito de fazer mais mandatos; 2- Salário- o trabalho deve ser recompensado e, apesar da SAD movimentar milhões, o salário do seu presidente e presidente do clube deve ser igual ao do Presidente da República, pois essa é que deve ser a bitola justa dos salários em Portugal. Depois, o presidente e sua equipa de gestão deve é ter prémios e todos o compreendem: se tiver prémios elevados, eles serão louvados e aprovados por todos os sócios pois todos estamos felizes por o presidente ter conquistado muitos títulos. Prémios só por troféus, nunca por apuramentos para a Champions; 3- apresentação imediata no acto de candidatura de declaração de isenção de dívidas ao fisco e segurança social a nível pessoal e empresarial e declaração de património que deve ser exibida e actualizada anualmente pelo presidente eleito. Assim seremos transparentes e rigorosos.

Relançar a Academia – aqui temos de ler a realidade e pôr o acento tónico em algo que temos vindo a perder. O Sporting tem de liderar e reforçar no scouting. O modelo não pode ser estar sentado numa secretária à espera que os empresários apareçam com cassetes de vídeo de jogadores por eles representados. Temos de aumentar a nossa prospecção no terreno, apanhar os melhores em Portugal e procurar os mercados onde podemos comprar dentro do nosso orçamento. E em cada equipa técnica da formação (mas também noutras modalidades) tem de estar um ex-atleta do clube para passar os nossos valores e a nossa mística.

Modalidades e Velhas glórias – somos um clube ecléctico, dos maiores do mundo e temos de manter a aposta na conquista de títulos, continuar a investir e apostar em duas novas modalidades: o basquetebol e o snooker (temos uma enorme tradição no bilhar, desde os tempos do grande campeão, Jorge Theriaga, mas o snooker é que tem audiência e visibilidade como o provam as transmissões do Eurosport); há tempos que sabemos que não aproveitamos os nossos campeões do passado. Dou um exemplo: o Sporting tem uma equipa de ciclismo há três anos e nunca ouviu para a sua constituição um dos homens que mais sabe da modalidade, o português com mais vitórias na Volta: Marco Chagas. É tempo de aproveitarmos a experiência e o saber de quem faz parte do nosso património.

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