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Rui Dias
Rui Dias Redator e repórter principal

A bomba que nunca explodiu

Tem todas as armas necessárias para desequilibrar: articulação motora perfeita, perícia na condução e talento para não abrandar quando os espaços diminuem e os adversários se multiplicam. Rafa é o caso raro de um jogador tão rápido com bola como sem ela; com tantas e tão diversificadas qualidades que, aos 23 anos, só lhe falta administrar esse interminável manancial de ferramentas para se expressar na plenitude. Em muitas situações, o tempo ajudá-lo-á a concluir o puzzle; noutras será dele a responsabilidade de aprender a criar as condições ideais para juntar os favores da estatística às perspetivas que alimenta e à esperança de glória adjacente a tudo quanto faz – só os dados concretos de golos e assistências podem salvá-lo das críticas.

É um lídimo representante dos pequenos jogadores que coordenam com inteligência instinto e ação. Tem perfil do gladiador em miniatura, "um personagem de Walt Disney metido em coisas sérias", seguindo as sábias palavras de Jorge Valdano. Rafa converte-se instantaneamente de defensor em avançado e vice-versa, o que facilita a solução para a falta de espaços. Contra ele está uma concorrência de génios (Cervi e Zivkovic) e homens feitos (Salvio e Carrillo) mas também os milhões envolvidos na sua transferência para a Luz. Nada de anormal perante estas circunstâncias, mesmo se considerarmos que os números foram os mais significativos de sempre em Portugal, no universo de negócios envolvendo jogadores nacionais. Desse preconceito só sairá vencedor no dia em que aprimorar todas as armas e harmonizá-las de modo a tirar o máximo proveito delas.

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É impressionante a facilidade com que chega à cara do guarda-redes, tão grande quanto escandalosos são os falhanços que protagoniza. Ao contrário de muitos, frenéticos em todas as ações longe da área mas cuja frieza no momento do tiro lhes confere estatuto de goleadores, Rafa não sofre na execução do trabalho que desgasta a maioria mas aumenta as pulsações à medida que a baliza contrária se aproxima: quando o golo parece facto consumado, age como se o coração estivesse a 300 pulsações por minuto. Nessa altura de pouco lhe vale ser um desafio às leis da mecânica, permitindo travagens e acelerações violentas. Fica então à mercê das vozes mais contestatárias.

Chega a parecer uma inconsciência, uma irresponsabilidade até, vê-lo pegar na bola tão longe do destino e ir logo direto ao assunto; é como se abrisse a porta sem pedir licença e entrasse a correr, como um alucinado, indiferente à solenidade que o momento exige; por vezes vai tão depressa que se expõe a transgressões graves, penalizadas com multas avultadas – mas não, é apenas o processo controlado e legal de quem passa por todas as zonas do campo à velocidade máxima, gerida com a sabedoria própria de quem conhece os benefícios de travagem e aceleração. Ganha terreno de modo tão fácil e consistente que apanha o adversário de surpresa ou mesmo em pânico a partir do momento em que o vê galgar terreno sem conseguir travá-lo, dentro ou à margem das leis.

Rafa é a bomba-relógio que nunca explodiu em 2016/17 – por enquanto, e de um modo geral, as explosões têm sido esporádicas, imprecisas e, logo, inconsequentes. Espalha pelo amplo raio de ação sucessivas mensagens criativas que entusiasmam os parceiros e criam pânico nos outros, de tal forma que não há muitos no futebol atual a fazê-lo com tanta frequência; a interferirem no desenvolvimento das operações e a criarem expectativas tão fortes (embora nem sempre cumpridas) de felicidade nas plateias. Quando calibrar o talento incomensurável que revela com o acerto nos gestos e movimentos de aproximação à baliza (principalmente em forma de golo com assinatura) pode vir a tornar-se um caso sério no futebol europeu.

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Nuno para lá

dos resultados

No essencial, Nuno Espírito Santo geriu o grupo seguindo o senso comum

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NES puxou dos galões, tomou decisões drásticas nunca explicadas e recebeu apoio institucional mesmo quando falhou outros objetivos da época. Reentrou na luta pelo título e quando dispôs de condições para garantir privilégios a equipa falhou. Sempre. A decisão sobre o seu futuro deve ter em conta não só os resultados mas o tipo de liderança que estimulou e desenvolveu. Acreditam nele ou… não.

O mercado

e a formação

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Os erros de casting desta temporada não são por certo bons conselheiros

Jorge Jesus construiu, à chegada, a melhor equipa do Sporting das últimas décadas. Depois perdeu Slimani, João Mário e Teo Gutiérrez mas ganhou Bas Dost, Gelson e Alan Ruiz (muito tarde). Apesar das múltiplas aquisições, a equipa não repetiu performance e resultados, e o clube passou a olhar a formação como saída única. Para a reconquista, é preciso voltar ao mercado. Mas com muito mais critério.

Coragem de Abel

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no jogo do adeus

Alvalade assistiu ao epílogo de uma história que não honra o Belenenses

Abel Camará foi titular com o Sporting (corajosa decisão de Domingos) mas não foi capitão (por certo foi ele que não quis). O jogo deu um penálti aos azuis que ele conquistou contra as regras da comunidade (devia ser Maurides o marcador). Na hora do tiro, cara-a-cara com Rui Patrício, estava em jogo muito mais do que um golo. O festejo foi desmedido, revoltado e apaixonado. Por ele e pelo clube do coração.

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Por Rui Dias
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