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Rui Dias
Rui Dias Redator e repórter principal

A titularidade de Moutinho

Num Mundo de imagem e mediatismo, que promove a superficialidade da bisbilhotice, rema contra a corrente: resiste a viver o futebol segundo os padrões vigentes (negócio, marketing e publicidade) e prefere orientar-se pelas boas e velhas regras de bola (camisola, balneário, treino e jogo). João Moutinho tem o condão da eterna relevância: quando ganha, porque o êxito não o imbeciliza, e quando perde, porque a derrota nunca o debilita; quando a ideia é atacar, porque tem talento e dispõe de qualidades agregadoras para unir o exército, ou quando é para defender, porque é solidário e lhe sobra compromisso com o emblema que traz ao peito.

Jogador de fiabilidade absoluta, que não encanta plateias pela magia instantânea do reportório mas faz sempre o que deve, evoluiu pelo tempo fora como extensão dos treinadores. Fernando Santos agiu em consonância com quase todos os que estiveram na sua posição: confiou-lhe as regras da equipa, seus equilíbrios e segredos; a definição da rota e o talento para retificar erros e combater distrações. Vindo de prolongada lesão, JM chega ao Euro à procura de si próprio; de recuperar rotinas e reencontrar índices físicos e de confiança; de convencer tudo e todos de que será o que sempre foi – o homem que funciona como um relógio suíço.

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JM pode até perder a titularidade durante o Euro (as atuações nos particulares não foram exaltantes), porque a concorrência de Renato Sanches e Adrien lhe exige pouco menos do que a perfeição. Mas, no jogo de estreia, lá estará no seu posto. Para tanto pesará o sentido de justiça do selecionador mas, acima disso, vingará a convicção de que nunca o seu homem de mão o deixará ficar mal.

Por Rui Dias
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